Os últimos que são os primeiros

Na escola primária, uma das coisas que os alunos primeiro aprendem é que os últimos são sempre os primeiros. Na vida, nem sempre é assim, pelo menos se todos juntos não fizermos por isso.
Como a jornalista Glória Lopes dá conta aqui ao lado, o distrito de Bragança foi o último dos 18 do país em que foi instalado o sistema de audição de testemunhas por video-conferência em processos de contraordenação rodoviária.
Uma forma simples e rápida  de aproximar as periferias da burocratização central, poupando tempo e recursos, não só à administração pública mas, mais importante ainda, a todos nós.
Apesar de os habitantes do Nordeste Transmontano serem os últimos a serem contemplados com o SIGA - Gestão de Autos de Contra-ordenação, vão ser os primeiros a poder utilizá-lo. Uma forma de mostrar que é tão longe de Lisboa a Bragança como de Bragança a Lisboa e que basta haver vontade na política para do longe se fazer perto.
Uma situação que é semelhante em tantas outras áreas e com as quais os nossos empresários e cidadãos sofrem diariamente.
A carreira aérea entre Bragança e Lisboa seria praticamente desnecessária se desnecessários se tornassem os mecanismos de centralização que vão entorpecendo a economia e criando pesadelos a quem quer investir.
Há dias, um jovem empreendedor transmontano, numa conversa de café, dava conta das queixas que afetam aqueles que vêem os seus investimentos pendentes e dependentes da boa vontade alheia para processar um simples pagamento, passar uma licença, carimbar um papel.
“Chega-se ao ridículo de ser mais eficaz perceber primeiro qual a tendência política dos decisores intermédios. Se for pró-Governo, é dizer que finalmente mudou. Se for anti-Governo, concordar que antes é que estava bem... e a coisa lá se resolve”.
Se não fosse um assunto sério, dava para rir, mas quem está diariamente dependente dos bons humores políticos de quem devia servir um Estado e não um Governo não deve achar muita piada.
As coisas são assim. Mas não deviam...