César Rodrigues

A ética, a erva e a mula

Há 29 anos atrás, o presidente duma Junta de Freguesia do concelho de Bragança quis recandidatar-se por um partido diferente daquele pelo qual tinha sido eleito. Da primeira vez, tinha-se candidatado pelo partido do então presidente da Câmara, que perdeu a presidência desta, no ato eleitoral em que aquele ganhou a Junta de Freguesia. Por isso, nas eleições seguintes, este último quis recandidatar-se pelo partido do novo presidente de Câmara.
Perante esta mudança, um seu correligionário admoestou-o:
- Isso não é nada ético!...

Do machado de pedra ao telemóvel

1 – Um amigo, com quem tenho tido o prazer de passar bons momentos a discorrer sobre os problemas éticos, políticos e sociais da Humanidade, pôs-me este desafio:
- Quando visitei a Bienal de Veneza 2017, encontrei lá um machado de pedra, de há 10 mil anos atrás, ao lado do IPHONE. Daqui a 10 mil anos, perguntou-me ele, qual pensas que será o objeto que irá aparecer a seguir ao iphone?
A minha resposta foi um pouco pessimista:
- Uma pedra, novamente!...
A desilusão do meu amigo, perante a minha resposta, tornou-se evidente quando me disse:

E se não houvesse barragens?...

1 - Com a seca que estamos a viver, lembrei-me dos meus tempos de infância, na aldeia, em que não havia água canalizada, e as famílias se abasteciam com uns cântaros carregados à cabeça ou nas cangalhas das bestas. Com uma carga de 4 cântaros enchia-se uma talha, que funcionava como depósito familiar para as necessidades domésticas, sobretudo na cozinha. Só depois do 25 de Abril é que a revolução dos cravos nos trouxe a barragem e o conforto da água canalizada.

Epistocracia versus Democracia

1 - Um bom amigo, com quem partilho o prazer da análise ética e política da melhor governação numa sociedade moderna, fez-me chegar um livro que está a provocar alguma curiosidade nos meios intelectuais, e que dá pelo nome de «Contra a Democracia». Nele, o seu autor – Jason Brennan – propõe-se substituir a Democracia pela «Epistocracia».

Política, futebol, DCE e DEE…

1 - Há uns 3 ou 4 anos atrás, no final dum derby lisboeta, Jorge Jesus, então treinador do Benfica, classificou o resultado de «limpinho…limpinho», afastando assim as suspeitas de favorecimento pela equipa de arbitragem. Essa não era, no entanto, a opinião do seu adversário. Situações destas repetem-se na maior parte dos jogos, em que os vencidos veem «mão na bola» onde os vencedores veem «bola na mão», ou vice-versa.  

O homem mais feliz do mundo

Os americanos são muito dados a chavões, sobretudo quando estes têm algum impacto mediático. É nessa linha que eu interpreto o facto de uma Universidade americana ter considerado Matthieu Ricard como «o homem mais feliz do mundo».
 
1 - Matthieu Ricard é um monge budista, de 70 anos, que, tendo completado o doutoramento em Genética Molecular, aos 26 anos, abandonou de imediato a sua carreira académica para se dedicar à meditação e à filosofia budista, na Índia e no Nepal.

O IPB e o futuro da região

1 - Na noite do passado dia 28, o IPB organizou um debate sobre o desenvolvimento do Nordeste Transmontano, em que esteve presente o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Nesse debate, vários intervenientes do mundo empresarial e do mundo académico desfilaram uma série de ideias e opiniões, numa mistura de projetos credíveis e sérios com claras manifestações de narcisismos estéreis.

Mensageiro de Bragança: 75 anos ao serviço da região Resposta ao Padre Calado

No jantar do encerramento das comemorações dos 75 anos do Mensageiro de Bragança, o P. Calado Rodrigues, diretor do MB entre 2004 e 2010, afirmou-se difamado, sem, no entanto, identificar o difamador e a difamação.
No dia seguinte, porém, soube que, no fim do jantar, me identificara, junto de alguns presidentes de Câmara, como o difamador, em virtude de, no livro de que sou autor «Mensageiro de Bragança:75 anos ao serviço da região», ter classificado a sua gestão como um desaire editorial e financeiro.
 

Fanatismos e liberdade de expressão

A defesa da liberdade sem limites para o Charlie Hebdo passou ser o politicamente correto nos últimos tempos, sobretudo nas camadas ditas mais letradas e eruditas, o que me parece duma hipocrisia atroz.
 
1 - Efetivamente, após os atentados contra o jornal Charlie Hebdo apareceu muita gente a dizer-se «Charlie», querendo com isso significar não apenas a condenação dos atentados terroristas dos fanáticos islâmicos, mas também a afirmação duma liberdade de expressão sem qualquer espécie de limites.

Fanatismos e liberdade de expressão

A defesa da liberdade sem limites para o Charlie Hebdo passou ser o politicamente correto nos últimos tempos, sobretudo nas camadas ditas mais letradas e eruditas, o que me parece duma hipocrisia atroz.
 
1 - Efetivamente, após os atentados contra o jornal Charlie Hebdo apareceu muita gente a dizer-se «Charlie», querendo com isso significar não apenas a condenação dos atentados terroristas dos fanáticos islâmicos, mas também a afirmação duma liberdade de expressão sem qualquer espécie de limites.