César Rodrigues

Do machado de pedra ao telemóvel

1 – Um amigo, com quem tenho tido o prazer de passar bons momentos a discorrer sobre os problemas éticos, políticos e sociais da Humanidade, pôs-me este desafio:
- Quando visitei a Bienal de Veneza 2017, encontrei lá um machado de pedra, de há 10 mil anos atrás, ao lado do IPHONE. Daqui a 10 mil anos, perguntou-me ele, qual pensas que será o objeto que irá aparecer a seguir ao iphone?
A minha resposta foi um pouco pessimista:
- Uma pedra, novamente!...
A desilusão do meu amigo, perante a minha resposta, tornou-se evidente quando me disse:

E se não houvesse barragens?...

1 - Com a seca que estamos a viver, lembrei-me dos meus tempos de infância, na aldeia, em que não havia água canalizada, e as famílias se abasteciam com uns cântaros carregados à cabeça ou nas cangalhas das bestas. Com uma carga de 4 cântaros enchia-se uma talha, que funcionava como depósito familiar para as necessidades domésticas, sobretudo na cozinha. Só depois do 25 de Abril é que a revolução dos cravos nos trouxe a barragem e o conforto da água canalizada.

Epistocracia versus Democracia

1 - Um bom amigo, com quem partilho o prazer da análise ética e política da melhor governação numa sociedade moderna, fez-me chegar um livro que está a provocar alguma curiosidade nos meios intelectuais, e que dá pelo nome de «Contra a Democracia». Nele, o seu autor – Jason Brennan – propõe-se substituir a Democracia pela «Epistocracia».

Política, futebol, DCE e DEE…

1 - Há uns 3 ou 4 anos atrás, no final dum derby lisboeta, Jorge Jesus, então treinador do Benfica, classificou o resultado de «limpinho…limpinho», afastando assim as suspeitas de favorecimento pela equipa de arbitragem. Essa não era, no entanto, a opinião do seu adversário. Situações destas repetem-se na maior parte dos jogos, em que os vencidos veem «mão na bola» onde os vencedores veem «bola na mão», ou vice-versa.  

O homem mais feliz do mundo

Os americanos são muito dados a chavões, sobretudo quando estes têm algum impacto mediático. É nessa linha que eu interpreto o facto de uma Universidade americana ter considerado Matthieu Ricard como «o homem mais feliz do mundo».
 
1 - Matthieu Ricard é um monge budista, de 70 anos, que, tendo completado o doutoramento em Genética Molecular, aos 26 anos, abandonou de imediato a sua carreira académica para se dedicar à meditação e à filosofia budista, na Índia e no Nepal.

O IPB e o futuro da região

1 - Na noite do passado dia 28, o IPB organizou um debate sobre o desenvolvimento do Nordeste Transmontano, em que esteve presente o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Nesse debate, vários intervenientes do mundo empresarial e do mundo académico desfilaram uma série de ideias e opiniões, numa mistura de projetos credíveis e sérios com claras manifestações de narcisismos estéreis.

Mensageiro de Bragança: 75 anos ao serviço da região Resposta ao Padre Calado

No jantar do encerramento das comemorações dos 75 anos do Mensageiro de Bragança, o P. Calado Rodrigues, diretor do MB entre 2004 e 2010, afirmou-se difamado, sem, no entanto, identificar o difamador e a difamação.
No dia seguinte, porém, soube que, no fim do jantar, me identificara, junto de alguns presidentes de Câmara, como o difamador, em virtude de, no livro de que sou autor «Mensageiro de Bragança:75 anos ao serviço da região», ter classificado a sua gestão como um desaire editorial e financeiro.
 

Fanatismos e liberdade de expressão

A defesa da liberdade sem limites para o Charlie Hebdo passou ser o politicamente correto nos últimos tempos, sobretudo nas camadas ditas mais letradas e eruditas, o que me parece duma hipocrisia atroz.
 
1 - Efetivamente, após os atentados contra o jornal Charlie Hebdo apareceu muita gente a dizer-se «Charlie», querendo com isso significar não apenas a condenação dos atentados terroristas dos fanáticos islâmicos, mas também a afirmação duma liberdade de expressão sem qualquer espécie de limites.

Fanatismos e liberdade de expressão

A defesa da liberdade sem limites para o Charlie Hebdo passou ser o politicamente correto nos últimos tempos, sobretudo nas camadas ditas mais letradas e eruditas, o que me parece duma hipocrisia atroz.
 
1 - Efetivamente, após os atentados contra o jornal Charlie Hebdo apareceu muita gente a dizer-se «Charlie», querendo com isso significar não apenas a condenação dos atentados terroristas dos fanáticos islâmicos, mas também a afirmação duma liberdade de expressão sem qualquer espécie de limites.

O fanatismo islâmico

Talvez nunca se tenha falado tanto de fanatismo como nos últimos dias por causa da matança no Charlie Hebdo. No entanto, em lado nenhum vi um comentador que explicasse ou definisse o conceito de fanatismo. Por isso, gostaria de, nesta breve análise, começar por aqui.
 
1 – Para mim, o fanatismo implica 3 características ou pressupostos:
1.1 – No plano do conhecimento, o fanático está convencido de que as suas convicções são as únicas «verdadeiras», sendo falsas todas as outras.