José Mário Leite

AVÉ MARIA

Quando Inês Veloso entoou as primeiras notas do Think of me do Fantasma da Ópera os rostos petrificados de uma espécie de gárgulas internas que vigiam o interior da Domus Municipalis de Bragança, ficaram estáticos e espantados. Foi contudo a Ave Maria do compositor austríaco Franz Schubert que definitivamente agarrou a assistência para os Conselhos Raianos que o gélido vento nordestino teimava em fazer desmobilizar com fortes rajadas que se infiltraram nas abundantes janelas pétreas.

OS CARROSSÉIS DA SENHORA DA ASSUNÇÃO

Todos os anos, pelo dia 15 de agosto tem lugar, no Cabeço de Vilas Boas, a festa da Senhora da Assunção, a maior romaria transmontana. A sua procissão transporta o imponente andor da Virgem, desde a aldeia até ao cimo do monte, à frente de grande cortejo acompanhada por vários outros andores, várias representações de cenas bíblicas e evocação de santos e presidida pelos reverendos membros do clero regional. Igualmente famoso é o arraial onde pontuam o exuberante fogo de artifício e os variados carrosséis que ali se instalam durante todo o dia e noite fora.

ANAM

No dia 25 de março de 2017 reuniram-se em Lisboa nas instalações da Assembleia Municipal, algumas dezenas de Presidentes de Assembleia, vindos da variadas localidades desde o norte ao sul, passando pela ilha da Madeira. Era o culminar de um trabalho iniciado já há muito tempo em Mirandela pelo José Manuel Pavão que teve, desde sempre, o apoio e colaboração especial e especializada do Professor Cândido de Oliveira da Universidade do Minho. Foram todos testemunhas privilegiadas da formalização e institucionalização da ANAM – Associação Nacional de Assembleias Municipais.

O CAMELO E A AGULHA (IV – CONCLUSÃO)

Expliquei aqui, em edições anteriores, que os bancos permitem o aumento da liquidez disponível no mercado, antecipando proveitos futuros e, com isso, fomentando a atividade económica, aumentando o rendimento disponível, permitindo o crescimento do emprego e do bem estar. É certo que a Banca e os banqueiros têm, com alguma intensidade e gravidade adicionais nos últimos tempos, cometido abusos e desvios graves ao princípio basilar e orientador da sua atividade. Em alguns casos têm sido os cidadãos a pagar, injustamente, os prejuízos desses desmandos.

O CAMELO E A AGULHA (III – DA CONFIANÇA)

Em duas crónicas anteriores contei uma história simples e verossímil: o empreiteiro António depositou um milhão de euros no banco do Aníbal. O Abel levantou esse dinheiro através de um empréstimo e entregou-o ao António para este lhe construir uma fábrica e voltou de novo ao banco. Foi emprestado depois ao Asdrúbal para comprar uma quinta. O antigo dono da Quinta depositou-o no mesmo banco. Com um único milhão em caixa o banco tem registado em contas três milhões.

O CAMELO E A AGULHA (II – A MULTIPLICAÇÃO NATURAL)

Terminei o meu texto anterior contando a história do António que depositou um milhão de euros no banco do Aníbal. O negócio dos bancos, como é sabido, é emprestar, com juros, o dinheiro dos depositantes. Foi assim que o Abel recebeu do banco o milhão que o António ali tinha depositado como empréstimo para fazer a sua fábrica. Quem lha construiu foi o António que era empreiteiro e recebeu esse mesmo milhão que depositou na sua conta. Ficou assim com dois milhões na sua conta corrente, pese embora no banco só haja um milhão de euros!

O CAMELO E A AGULHA (I – DO TEXTO BÍBLICO)

“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”
Lucas 18:25 e Mateus 19:24
 
Esta é uma afirmação marcante de Jesus Cristo, tanto assim que é referida exatamente com a mesma formulação, por dois evangelistas, S. Lucas e S. Mateus. Tem causado polémica, ao longo dos tempos e alguma perplexidade, sobretudo, nos tempos modernos.

TAVARES

 

A GALINHA DOS OVOS DE OURO

 
Há frases que se colam aos seus autores como se fossem uma segunda pele e nunca mais desgrudam de quem as proferiu. “Que se lixem as eleições” é uma dessas afirmações que marcam quem a enunciou não pelo seu conteúdo intrínseco mas porque retrata uma certa maneira de pensar de quem, contrariamente ao que diz, mais não faz que tudo fazer para ganhar eleições. São, quais poetas pessoanas, fingidores que fingem ser dor a dor que deveras sentem.
 

OS PARAFUSOS DE D. QUIXOTE

Em Belém do Pará, celebrandro a cultura lusitana em parceria com a Academia Paraense de Letras, Fernando Calado, romanticamente, discorria sobre a suposta passagem de Cervantes por Bragança. Ideia agradável que me aconchegava o ego nordestino. O espírito científico de João Cabrita veio deitar água no fogo duvidando da tese carreada pelo poeta de Milhão. Faltariam provas evidentes a comprová-la, sobrando indícios a contrariá-la. Reconhecendo a validade do argumentário do João, a história contada pelo Fernando é, sem dúvida, a minha preferida.