Manuel António Gouveia

Os indesejados

É doutrina do eugenismo que a população humana deverá evoluir para a perfeição, resultando, se for caso disso, de uma depuração e seleção programadas, sendo um dos meios para esse fim impedir o nascimento de crianças que, entre outros motivos, acusem alguma malformação. A sociedade, prevendo que tal nascituro (além de ele próprio poder ter de sujeitar-se a uma vida de permanente sacrifício), irá perturbar-lhe a boa ordem, a estabilidade, a economia, o bem-estar, permite-se retirar-lhe o direito de nascer.

A mochila da Clara

Nem sempre os responsáveis pela educação das crianças decidem bem e na hora adequada. Por isso, acontecem situações muito complicadas.
É o caso do peso das mochilas. Não sei por que razão se tem perdido tanto tempo com uma decisão que já devia ter sido posta em prática: aliviar o peso que os alunos levam para a escola.
A este propósito, um amigo meu que tem um filho no sexto ano de escolaridade teve a amabilidade de me ler uma cópia da pequena história que a professora leu aos alunos no Dia Mundial da Criança:

A MÃE

Quando se fala da mulher, deverá falar-se com todo o respeito, cuidado e admiração, porque estamos a falar do ser humano mais sensível, mais perfeito e mais delicado. Sobretudo se é mãe: ela transfere para o embalo do colo que transborda de ternura, o fruto da semente que justifica e faz avançar a Humanidade, enquanto lhe oferece o amor, a educação e a doçura que, no momento de maior encanto daquele embalo, dão vida à verdade, à felicidade e à alegria.  

Defender a Língua Portuguesa

Aproxima-se o dia do Festival Eurovisão da Canção 2018, desta vez merecidamente em Portugal.
Como é sobejamente sabido, no dia 13 de maio do ano passado, no Festival da Eurovisão, em Kiev, o representante da Televisão Portuguesa, Salvador Sobral, cantou e defendeu a sua canção da forma mais natural e simples do que alguma vez o nosso ou outro país participante imaginaria fazê-lo.

O Poder – Dois exemplos

Mal me sentei no Café para tomar uma bica, já diante de mim se perfilava a figura carismática dum amigo de longa data que há uns tempos não via. Convidei-o a sentar-se e imediatamente me pôs a par da última novidade.
Foi o caso desse meu amigo ter sido eleito Presidente do Clube de Futebol lá do Bairro – um discreto clube da terceira divisão da distrital que a melhor classificação conseguida foi o penúltimo lugar.

A Barragem e a Natureza

            Foi uma aflição! E mais do que aflição, uma comoção coletiva que provocou na gente das margens daquele rio um medo terrível. Medo que subiu varrendo as ladeiras e voou até longe carregando um terror arrepiante, selvagem, brutal! Parecia que a terra se levantava das profundezas dum abismo!
O forte abalo que se fez ouvir concentrou-se nas fundações da enorme e velha barragem que, não resistindo àquela força titânica, troou como o mais amedrontador trovão, cedeu, ruiu e libertou o mar que, por sua causa, se formara.

Por dois mil e dezassete a dois mil e dezoito

Não fui um dos foliões da festança que se fez na despedida do 2017 e na chegada do 2018. Jantei um prato melhorado, li umas páginas de um dos livros que ando a ler, escrevi o meu diário e vi um pouco de televisão. Assim cumpridas algumas das minhas obrigações diárias, deitei-me à hora a que costumo deitar-me e, pouco depois, dormia na minha tranquilidade de uma noite muito longa.

Os melhores governantes do mundo

            Já deixei de assistir às discussões da Assembleia da República, confortavelmente recostado no sofá da sala, em frente à televisão. Na verdade, nessas discussões, pouco tenho aproveitado para minha satisfação em relação ao bom andamento do país e, sobretudo, em relação a boas maneiras.
            Alcançada finalmente esta evidência (já por muitas vezes prestes a ser conseguida), resolvi dedicar-me a outros interesses bem mais benéficos para a minha saúde física e, acima de tudo, mental.

O elegante senhor

Contaram-me ontem que, um dia destes, um senhor alto e magro, bem vestido e aprumado, depois de discretamente se assoar, afinar a garganta, dar um jeito à gravata e assumir um tom de voz claro, firme e forte, pronunciou um aguardado, grave e expectável discurso para uma plateia convocada para o Clube Desportivo de um dos subúrbios daquela imensa cidade:
- “Portuguesas e Portugueses! – assim começou - Senhoras e Senhores! Público em Geral! Boa noite a Todas! Boa noite a Todos!

Nossos bons exemplos

            Em Agosto de 2013, durante as Jornadas Culturais de Balsemão, Macedo de Cavaleiros, tive oportunidade de conhecer uma tuna popular que muito me agradou. De tal maneira que, de vez em quando, não resisto a ouvir as peças por essa tuna ali interpretadas, dando-as a conhecer a amigos que, sem excepção, as consideram muito boas.
            Pois bem. Segundo a explicação que, na altura, nos foi dada, o seu aparecimento deveu-se, sobretudo, à desertificação do interior.