Mário de Campos Pinto

A nova ditadura da (in)tolerância: a concordância

1. A mais recente astúcia da intolerância é a manipulação do argumento da tolerância. Durante milénios, a intolerância era franca e leal, na sua brutalidade; porque se apresentava em nome do bem e contra o mal. Podia manipular a definição do bem, é certo, definindo-o dogmaticamente e impondo-o contra o mal; mas ainda prestava homenagem ao bem.

Fraternidade, não menos

1. A Revolução Liberal, que abriu a Contemporaneidade, ficou bem sintetizada nas três divisas: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Se deixarmos de lado a pulsão jacobina que, nas várias políticas ideológicas dos séculos XIX e XX, em múltiplas formas e graus perverteu este glorioso desígnio doutrinal, podemos dizer que ele ainda está de pé e é digno de universal veneração.

Fraternidade, não menos

1. A Revolução Liberal, que abriu a Contemporaneidade, ficou bem sintetizada nas três divisas: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Se deixarmos de lado a pulsão jacobina que, nas várias políticas ideológicas dos séculos XIX e XX, em múltiplas formas e graus perverteu este glorioso desígnio doutrinal, podemos dizer que ele ainda está de pé e é digno de universal veneração.
 

Mensageiro: «Convertimini!»

1. Sim. Por estes dias, o Papa Francisco fez um forte discurso profético perante a Cúria Romana. Enumerando vários defeitos pessoais, que podem ser frequentes, alguns deles muito feios. Mas se foi dirigido directamente aos membros da Cúria, não foi dirigido só a eles; antes, como o próprio Papa disse, a todos os membros da Igreja de Cristo, a todos os católicos.
 

“A quem iremos?”

1. É muito estranho, para não dizer de outro modo, que um qualquer de nós, homens, que faz a experiência vital de “se reconhecer” como «eu», (isto é, como pessoa humana), e além disso faz a experiência vital de se relacionar com outros «eus» (outras pessoas humanas, que reconhece como “Tus”), recuse reconhecer, ou chegue mesmo a negar, um «Eu» divino, um “Tu” divino.

A culpa é dos outros

 
 1. Na vida pessoal, como na vida social e política, um dos piores males é a tendência de querermos sempre imputar aos outros as responsabilidades dos males que acontecem. Isto é, de nos livrarmos das responsabilidades individuais, por nós e pelos outros. Ou, pelo menos, de diminuirmos as nossas responsabilidades. No limite, é a tendência para sermos irresponsáveis inocentes. Este impulso manifesta-se logo nas crianças; mas cresce e ganha sofisticação na astúcia dos adultos. Nem vale a pena querer demonstrar este fenómeno; todos o conhecemos muito bem.

No rescaldo das comemorações

1. Do rescaldo das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, da tão celebrada revolução da liberdade representada por uma flor, em vez de respirarmos a brisa perfumada de uma alegria pacífica, comummente partilhada, pelo contrário, o que dominou e ficou no ar foi um clima de divisão crítica e hostil, entre uns que se consideram os herdeiros imaculados dos ideias de Abril (que são obviamente imaginários, tirante o que sucedeu, como dito e feito, na revolução), e os outros, supostamente inimigos ou traidores. E esta divisão assim ideológica foi apropriada como oposição política.

A violência política contra a liberdade educativa civil

No mundo ocidental, com o apoio do dinheiro das fabulosas fundações e corporações norte-americanas, e a cumplicidade dos Estados de democracia pluralista que são «infiltrados» por essa propaganda, continua em grande força a execução da estratégia de Kissinger contra a família tradicional e a natalidade, de que o lobby LGTB é um dos mais activos exércitos. Em democracia pluralista e à escala internacional, não há memória histórica de um combate cultural (Kulturkampf) e educativo tão «feroz», e com uma tão ampla e forte base financeira internacional.

Ouvir de confissão

1. Não há muito tempo, precisamente no Mensageiro de Bragança, li uma referência ao enfado que por vezes sofrem os padres confessores, quando pessoas humildes, necessitadas de falar das suas vidas (talvez sofrendo de solidão, sem dúvida a maior das misérias imaginável), lhes querem contar o seu viver, por miúdos, coisas aparentemente sem importância nem social nem espiritual. Ficou-me dessa leitura uma impressão que me volta repetidamente, sobretudo quando na Igreja vejo alguém que se confessa.