Pe. Manuel Ribeiro

É chegada a hora!

Com a chegada do mês de Agosto regressam, também, muitos dos nossos que, depois de longa ausência, retornam ao lugar que tanto lhes diz. Agosto é sinónimo de encontro, de festa, de celebração, de vida. Por isso, as inúmeras romarias e festas que, um pouco por toda a nossa Diocese vão ocorrendo, deve-nos instigar a questionar o porquê dessas festas. Todas elas (ou quase todas) estão intimamente ligadas à devoção e espiritualidade do nosso povo.

O paradoxo do amor

Imbuídos nas festividades próprias dos santos populares, o país acordou com o drama e o terror que assolou o centro da nação, particularmente no município de Pedrógão Grande. O luto e a dor dão agora lugar à reconstrução e à procura de sentido. Sentido para a existência, questionando, desde logo, a(s) razão(ões) da nossa existência e, diga-se também, da nossa fé. Esta tragédia tem revelado o que intuitivamente já o sabemos: o povo português é fiel à sua matriz – é um povo solidário.

Fátima ontem e hoje

Durante todo o mês de Maio fomos vendo, assistindo e, até, participando em inúmeras manifestações de fé e de devoção à Virgem Maria, particularmente a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, por toda a nossa amantíssima Diocese (e por todo o  país). A presença do Santo Padre, o Papa Francisco, como peregrino ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Fátima, veio confirmar o amor devocional, não só da Igreja como de toda a nação portuguesa à Virgem Maria. Até as ‘mais’ ilustres figuras públicas da nossa sociedade, e outras figuras dos mais diversos quadrantes quiseram marcar presença.

Da Esperança à Vida: o dom do encontro

Agradecidos e agraciados pelo dom maior – a vida (e a fé) – dado por Deus em Jesus Cristo, a Páscoa do Senhor Ressuscitado conduz-nos para um outro olhar da existência humana. O horizonte da esperança cristã revela, deste modo, a sua maior doçura. A esperança abre-se como horizonte da existência humana no momento presente. Por isso, comunica a paz e a segurança ao sujeito, porque lhe testemunha que há futuro para ele. A existência desta certeza num futuro permite com que as pessoas aceitem e assumam, de maneira positiva, o presente em que vivem.

Dos ovos à cruz: os caminhos tortuosos da contemporaneidade

Hoje, muitos dos nos nossos contemporâneos não sabem o porquê das festividades pascais. No entanto, muitos associação estas festividades aos “ovos e coelhos”. Parece que há uma força obscura que quer implementar, desde a infância à ancianidade, esta ideia pagã, consumista, economicista. E o mais preocupante é que muitas das IPSS’s católicas não só promovem esta ideologia, como também alimentam o imaginário comum de que a Páscoa é o coelho e os ovos! Estranho a indiferença de muitos em relação a este real problema.

Das cinzas à conversão

Neste belo Tempo da Quaresma, a mudança e a conversão encontram o campo ideal, fecundo e fértil, para que o homem, criado e perdoado por amor, seja, cada vez mais, centelha da misericórdia e do perdão de Deus, para ele próprio, para os outros e para a comunidade. Quaresma não pode não ser senão incitamento para uma sincera, efetiva e decisiva conversão do coração ao coração de Deus.