Ricardo Mota

Entre…

Ente querido, porque cercado pela dor que dói, aconselhada foi a procurar serviço médico especialista, para o efeito colocado ao serviço do povo, em Hospital Publico de Lisboa, o ancião Hospital de S. José, ali para o Martim Moniz, o entalado. A placa, indicativa e que informa, é enigmática, coisas dos antigos, Mesoterapia.

Lições da História…

Atravesso amiúde o Tejo, extasio-me na ponte Salazar/25 de Abril, arranco da Charneca de Caparica, onde vivo e adormeço ouvindo as falas do oceano. Quando a caminho da capital, abençoado pelo Cristo Rei que de braços estendidos me abraça, contemplo Lisboa luminosa que atrai e conquista o mundo. De branco imaculado, pedra da serra dos Candeeiros, obriga à contemplação, sufoca, espanta, extasia e provoca a aventura pelo desejo de a conhecer.

Primo de Crasso…

Atento à vida que me circunda e arrasta vou indo nas ondas do tempo. Os jornais, a televisão e os amigos sintonizam e difundem as novidades. Agora, com a disponibilidade que me chega por mérito da idade e da saúde, gosto de me passear por entre as gentes, aquele mundo que tudo faz para cumprir a lei da vida. Tal como a abelha, vou cheirando aqui e acolá, aspiro o que me interessa e, regressando à base, separo por paladares, talvez por ideias, sentimentos, revoltas e concordâncias.

Estupefação Aviltante…

-1=-1hora
-1x5=-5
-5x4=-20
-20x12=-240
-240x40=-9600
-9600:7=-1371dias
-1371:30=-45 meses
-45:12= -4 anos de trabalho
 
Sei que a matemática, a tal ciência exacta, não para de evoluir, surpreender e reinventar-se. Problemas indecifráveis vão sendo resolvidos, mas no parto da resposta, novos e mais intrincados dilemas são colocados ao mundo, à ciência.

Xeque Mate…

É larga a enseada. A curva, ampla e espraiada, reino do verde, local dos Deuses, onde o murmúrio da água corrente embala a mente e o longe nos mostra o espelho em que o sol e o céu se miram, esta curva obriga à contemplação, à demanda.

Entre o Coração e a Mente…

Talvez o fim da época balnear de 2017. Fim de tarde no adeus a um Agosto apetecível. A praia da Princesa, com vistas privilegiadas no apontar do Cabo Espichel, ali numa Caparica da outra margem do Tejo, em territórios da Mina de Ouro que deu nome a Almada, caminhos que ao Sul levam, o cenário convida à meditação.
Estendido na areia, de braços abertos no afago dos céus, enterrado na confortante areia, de pálpebras cerradas no aconchego da mente, liberto o pensamento, encontro-me a mim, falo comigo sentindo o bater das ondas que morrem na praia, exaustas e felizes.

Simplesmente do Benfica…

Ali para os lados da Régua, muito perto de Mesão Frio, colada a Vila Marim, numa pequenita aldeia de nome Sedielos, dorme passado de menino. Por ali fui gente, de calções com alças cruzadas nas costas, por lá podia voar ao sabor do vento, abraçar a liberdade, beber a alegria do viver, sentir-me eterno, a imortalidade povoava-me os sonhos dos quais não queremos acordar.

Calhaus Graníticos…

Acredito que no sótão das memórias, lá no baú das recordações, todos juntamos tralhas para mais tarde recordar. Numa das caixas de lata, de flandres claro, imaginária, dormem tesouros das nossas vidas, dos degraus de crescimento. Amiúde basculho, reviro, encontro-me lá para trás, nos inícios, nos meios, nas estradas que aqui me trouxeram. Em todos os patamares do ensino, de aprendizagem, gosto do que encontro no inconsciente, quando nele remexo.

Fiel de Armazém…

Na memória que ainda me acompanha carrego lembranças de responsabilidades, evento de adultos. Viajo muitas vezes no túnel do tempo, gosto de me encontrar nas profundezas do crescimento, nos recordares felizes ou dolorosos.

Eu sei de um País…

Eu sei de um país onde impera a frustração. Só de saber que por aqui foi dado aconchego a quem trafica a força humana, física e intelectual, e que com esse negócio afasta o futuro a muitos jovens e desumaniza os do meio-da-vida, impele-me ao grito. Leio, ouço e sei que os ditos gigantes transnacionais contratam via outsourcings, com privados e com o meu Governo.