Águas passadas, equilíbrios futuros

Em período de seca, o distrito de Bragança promete entrar em ebulição nos próximos tempos, pelo menos no que a alguma política diz respeito. Será tempo de escolher titulares para uma série de cargos que representem a população que elegeu os autarcas. A Comunidade Intermunicipal será o grande tabuleiro de xadrez onde se vão cultivar alianças e dirimir argumentos (ameaças?). O PS está em clara vantagem, com sete das nove autarquias que compõe esta CIM (Freixo, Moncorvo e Carrazeda integram a CIM Douro). Mas, tal como aconteceu há quatro anos, ainda que noutro quadro político, o PS parece dividido. Será que vão ser os dois autarcas do PSD a desempatar?
O que salta à vista é a necessidade de um consenso, de forma a garantir uma governação equilibrada, entre Terra Fria e Terra Quente, entre autarcas socialistas e social democratas, entre municípios grandes e municípios pequenos, entre homens e… mulheres. Guerras antigas podem acordar mas, no final de contas, é preciso não esquecer que não é de cargos pessoais que se trata mas da representação popular. E o que aí vem em termos de redistribuição de competências vai exigir muito de poucos. Just saying…

O mesmo tipo de equilíbrio que é necessário para algumas juntas de freguesia. Só em Bragança, há duas, e logo das maiores, a precisar urgentemente de equilíbrio. A União das Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo, por um lado, e a de Samil, por outro. Em ambas, venceu o PSD. Em ambas, sem maioria absoluta. Em ambas, com um independente em segundo, que se sentiu posto de parte pelo partido. Num quadro destes, como se consegue endireitar o pau que nasceu torto? Novas eleições à vista ou será o PS o fiel da balança, numa reinvenção da Geringonça, agora com tons alaranjados?   
Com tanta água a passar, é de pontes que se precisa.

Por estes dias, só mesmo de água metafórica é que se pode falar, porque se há coisa que tem faltado na região é mesmo uma gotinha.
Bradam os animais, que não têm o que comer, bradam os agricultores, que assistem às suas culturas a mirrar. Sobretudo a da castanha e da azeitona, dois dos ex libris da região, responsáveis por milhares de euros a entrar nas famílias e na economia todos os anos.
Agora que a campanha eleitoral passou, é altura de passar da teoria à prática. Deixar os paralelos sossegados e olhar para o futuro com olhos de ver. E o que se vislumbra no horizonte são anos cada vez mais secos.
Barragens e regadio têm de deixar de ser uma miragem ou arma de arremesso político para passarem a ser uma realidade. Sob pena de o Saahra galgar fronteiras e oceanos...