Como se pescam turistas?

O ano de 2017 assume-se como de especial relevo para o Nordeste Transmontano. Para além de ser ano de eleições autárquicas, o que pode mudar ou confirmar tendências, é também ano de concretização de projetos estruturantes para a região, como o das minas de ferro de Torre de Moncorvo, ou de consolidação de alguns indicadores, como os que foram divulgados recentemente sobre os ganhos do setor do turismo.
Em 2015, de acordo com os dados do INE divulgados pela autarquia de Bragança (de que o Mensageiro deu conta há 15 dias), os proveitos das unidades hoteleiras subiram mais de 20 por cento, qualquer coisa como quase meio milhão de euros.
A tendência, tendo em conta os números conhecidos de 2016, terá sido de continuação de subida, esperando-se um crescimento na ordem dos 15 por cento.
Portanto, em 2017, é altura de continuar a afirmar o crescimento no número de visitantes a uma região por explorar. Mas está por explorar por todos, incluindo os nativos.
A Câmara de Macedo de Cavaleiros acredita que pela Feira da Caça e do Turismo passaram quase 30 mil pessoas no fim de semana. No verão, durante a época balnear, de acordo com o presidente daquela autarquia, Duarte Moreno, terão sido 250 mil os turistas que vieram banhar-se ao Azibo.
Infelizmente, outra tendência que os números têm transmitido é que o aumento do número de visitantes tem sido acompanhado do decréscimo do número de estadias. Ou seja, quem nos visita, fica menos tempo. E não é por falta de alojamento.
O que se passa então?
Acima de tudo, falta oferta de atividades. Falta informação. Não é que faltem museus, mas as pessoas que vêm querem mais do que ver montes e pedras num museu. Querem fazer coisas. E não há uma oferta integrada, ao nível regional, que obrigue as pessoas a passarem mais tempo na região; que obrigue um turista que vem a Bragança a ir às compras a Miranda do Douro e a fazer umas massagens a Alfândega da Fé, antes de um passeio de barco em Torre de Moncorvo.
A Feira da Caça e Turismo de Macedo de Cavaleiros foi o pontapé de saída para os grandes certames na região. Seguem-se vários, como a Feira do Fumeiro de Vinhais, em que o estômago é o isco. E isso já sabemos que funciona. As pessoas deslocam-se para comer. E aqui come-se bem.
Falta que quem decide dê as mãos e não dispute o mesmo cardume, marcando eventos em simultâneo com os do vizinho.
O Congresso de Turismo, o primeiro, serviu de exemplo. Um mau exemplo do que é preciso mudar. Autarcas e operadores deram as costas quando deviam dar as mãos.
Mas pelo menos numa coisa estão em sintonia: nas queixas...
Assim não vamos lá.