Competitividade e os embrulhos

Na 2ª Edição do Estudo Nacional de Competitividade Regional, recentemente lançada pela Zaask, em empresa de consultoria, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, e que contou com a colaboração de 1321 empresários portugueses, Bragança foi considerado, em 2016, simultaneamente, o distrito com melhor a situação económica, segundo os empresários, e onde é mais aconselhável abrir um negócio. De acordo com o mesmo estudo, o distrito está, ainda, no topo da lista no que respeita à situação financeira das empresas.
Ora, esta situação contrasta com os valores conhecidos relativamente ao ano anterior. Em 2015, Bragança apresentava os piores resultados no âmbito do aconselhamento e na facilidade de criação de novos negócios, no recrutamento de novos colaboradores e na situação financeira das empresas.
Agora, Bragança é o distrito do país em que os empresários mais aconselham a abertura de novos negócios, posicionando a região com uma pontuação de 4,13, quando a média nacional se situa nos 3,71.
A facilidade em encontrar novos colaboradores passou de 2,57 para 3,5, a situação financeira das empresas passou de 2,5 para 3,5 e a situação económica do distrito passou de 2,83 para 3. Todas as subidas de indicadores colocam Bragança como um dos distritos onde a confiança na economia é mais acentuada, numa escola de 1 a 5.
No entanto, nem tudo corre bem. De acordo com o mesmo estudo, apesar de ter existido uma considerável evolução a nível económico e financeiro, os programas de formação e networking promovidos pelo governo local continuam a ser desconhecidos pela maioria dos empreendedores.
Mas... e nestas coisas há sempre um mas, porque já diz o povo que quando a esmola é demais o santo desconfia..., este mesmo estudo traça um cenário mau em termos de formação. O nível de acompanhamento por parte do governo regional/local a pequenos empreendedores e empresas foi o que registou a avaliação mais negativa, com 66% dos empresários a considerar o apoio mau ou insuficiente. Uma análise baseada no país de origem dos empresários permite perceber que junto dos profissionais espanhóis há um maior conhecimento sobre Programas de formação para pequenos empreendedores: cerca de 41% dos espanhóis conhecem estes programas de formação, contra 19% dos profissionais portugueses.
Da mesma forma, 81% dos empresários portugueses admitiram não conhecer a oferta de programas de formação, sendo os programas de networking ainda menos conhecidos entre os inquiridos. Ainda assim, face aos 10% registados no ano anterior, 16% afirma ter conhecimento dos mesmos.
Os números são o que são mas podem ser lidos de duas perspetivas, a do copo meio cheio ou meio vazio.
Muito do que queremos para o futuro da região deveria ser debatido, pensado, discutido nos próximos cinco meses.
Sob pena de não termos mais nada para fazer no final da festa do que apanhar o papel de embrulho que sobrou.