Este Carnaval é que é nacional

Fevereiro é sinónimo de frio, alguma chuva e vento, salvo boas exceções. Isso não é notícia. Afinal, estamos no inverno e, apesar do aquecimento global, inverno ainda é tempo de frio.
Por isso, não deixa de ser curioso observar alguns carnavais que se fazem quando a chuva e o vento obrigam ao cancelamento de desfiles previamente agendados e onde se investiu um ano inteiro de trabalho e muito dinheiro.
Ora, em Trás-os-Montes, de Lazarim a Bragança, passando por Macedo de Cavaleiros, Podence ou por Vinhais, a tradição ainda é o que era. E, por cá, a tradição manda cozer o butelo com cascas e vestir o fato de carnaval, feito de lã, com máscaras de madeira e chocalhos. Ou seja, a farda certa para a época do ano.
Não sei se foi pela abertura do túnel do Marão ou pela autoestrada mas a verdade é que a ano que passa a região enche-se cada vez mais de visitantes nesta época. Não deixa de ser reconfortante escutar cada vez mais gente admitir que veio participar nestas festividades pela primeira vez (apesar de remontarem há vários séculos) e que sai maravilhada e com ideias de voltar.
Cultura, património, identidade... é isto. O nosso Carnaval, é este. Sem margem para dúvidas.
Cabe agora aos decisores políticos prevenirem-se e fazerem acompanhar as estruturas da festa à dimensão cada vez maior de visitantes.
Já que a estratégia deu frutos, convém que não se deixe morrer vítima do seu próprio sucesso.