Liberdade?

“Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?”

1. Quando João Aguardela cantou estes versos, na década de 90, da música “Soldado”, não estaria com certeza a pensar na opção por tomar ou não vacinas. Mas servem na mesma para a reflexão.
Nos últimos dias correram notícias de um surto de Sarampo que tem causado alarme. Os efeitos da doença, atualmente a mais perigosa desta família, onde se inclui, por exemplo, a varicela, têm tido dimensões particularmente alarmantes dado um novo fator em equação, a liberdade de não vacinar os filhos.
Se no caso do trágico desfecho da jovem de 17 anos que acabou por morrer estariam outros fatores subjacentes - terá tido uma  reação negativa à primeira de três tomas da vacina - deve ser discutido onde termina a nossa liberdade de escolha e começa a dos nossos filhos. Porque se é indiscutível que temos e devemos ter a liberdade de decidir as nossas vidas, não deixa de ser menos verdade que as crianças têm o direito à vida. E quando uma decisão dos progenitores pôe em causa a sua sobrevivência, deve ser, como é noutros casos, questionada. Sob pena de a nossa liberdade se estar a sobrepor à liberdade dos nossos descendentes...
2. O artigo de opinião do advogado luso-brasileiro Júlio de Carvalho, antigo Governador Civil do Distrito de Bragança, que publicamos mais à frente, na página 5, nasceu de uma casual conversa de rua sobre  o acordo ortográfico e a sua implementação. Defendeu Júlio de Carvalho, mestre destas coisas das leis, que concordando-se ou não, deve  ser aplicado porque é lei, é norma juridicamente aprovada.
Mas não é por isso que não podemos deixar de o questionar.
Se, por um lado, a evolução da língua é normal e a aproximação da grafia à fonia é natural, há muitos casos em que as alterações foram tudo menos naturais e serviram apenas para lançar a confusão.
E se há coisa de que os jovens não precisam é de confusão com a Língua e a sua escrita. As mensagens escritas, primeiro, e as redes sociais, depois, instituíram novos códigos de linguagem que rapidamente se tornam vícios e são difíceis de combater. Sobretudo quando ler (livros, jornais ou revistas) passou a ser coisa do século passado.
Mas uma boa escrita é a base de uma comunicação fluida e fluente entre todos.
Ou então, quando dermos conta, uns escrevem alhos e os outros só entendem os bugalhos...