Quanto valem os valores

Longe da vista, longe do coração. Parece ser essa a máxima que preside às viagens de finalistas, que teimam em não sair das notícias dos jornais (até por falta de outros motivos de interesse, abundantes noutros anos por esta altura).
Os pais sabem que estas viagens não são propriamente momentos de introspeção e oração. Mas a distância de muitos quilómetros parece aplacar consciências.
Em causa não está saber se a versão dos estudantes (neste caso específico é dos portugueses que se fala, como poderia ser dos britânicos, gregos ou franceses) é mais correta ou justa do que a do hotel.  A verdade há de andar algures pelo meio.
O que assusta é a inversão de valores, nuns casos, e a completa ausência de valores e responsabilização, noutros.
De um lado, os que julgam que coitadas das pobres criancinhas, que foram muito maltratadas pelo hotel. Do outro, os que criticam os selvagens e bárbaros que cruzaram a fronteira para invadir Espanha como nem no tempo das guerras peninsulares se assistiu.
O que não se discute é o que está na origem desta situação, longe de ser isolada ou, como se viu escrito num oráculo da TVI, “culpa dos estudantes do norte”, num registo de provincianismo que não se via desde o Estado Novo. A falta de regras deve assustar-nos pelas implicações que isso acarreta para a nossa sociedade no futuro.
Daniel Sampaio, psicólogo familiar, dizia, em entrevista ao Expresso, que  “se os pais tiverem autoridade para os [jovens que provocaram desacatos] castigar, é bom que o façam. O problema é que, muito provavelmente, os de quase todos eles não têm autoridade porque não a conquistaram durante a adolescência, o que faz com que agora tenham muita pouca margem de manobra para poderem impor um castigo. Nós assistimos claramente a um défice de autoridade dos pais”, diagnostica  este especialista em Psiquiatria da Adolescência.
Mais do que nunca, é importante voltarmo-nos para os valores, que servem de guia nas nossas vidas, sob pena de estarmos a assistir, de braços cruzados, à criação de uma geração de líderes imaturos, impreparados, com a cultura do prazer imediato e egocêntrico, em que vale tudo em nome do ‘eu’.
O Papa Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial da Juventude, citando o exemplo de Nossa Senhora (em ano de centenário das Aparições de Fátima). “Ela não é uma jovem de sofá, que busca apenas a segurança e a comodidade, sem mais nada, mas deixa-se guiar pela fé, que move toda a sua história”, a história de Maria, “nossa Mãe”, acrescentou Francisco.
E podemos começar por seguir este exemplo já no Dia Diocesano da Juventude, 6 de maio, em Carrazeda.