A opinião de ...

Oportunidades

A vida é feita de oportunidades que, ou se aproveitam, ou se desperdiçam. Diz o ditado que quando se fecha uma porta, se abre uma janela. O problema é quando a porta não é mais do que a tal janela… de oportunidade e, uma vez fechada, não vai lá com arrombamentos.
Luís Montenegro, destacado militante social democrata, natural de Espinho mas com raízes em Bragança (na aldeia de Rabal), decidiu fechar a porta à oportunidade de concorrer à liderança do partido há exatamente um ano. Preferiu abrir a janela do médio prazo calculista, de risco calculado, esperar que este Rio fervesse em lume brando de duas derrotas anunciadas (Europeias e Legislativas), para surgir pela porta da frente, triunfal e triunfante.
Ainda há três semanas, o plano parecia ser esse, calculado a pormenor, alimentado com aparições frequentes no espetro público, instado a comentar tudo e mais alguma coisa, com espaço mediático em prateleira dourada.
O que mudou em três semanas que não se soubesse há três meses ou um ano? Acaso Rui Rio ou a sua ‘entourage’ cometeu algum erro (que não tivesse cometido já, como os casos das presenças e ausências no Parlamento)? Não.
Carlos César, do PS, avançava esta semana com a teoria da janela do oportunismo. Que Passos Coelho teria repensado e ponderaria avançar novamente.
Parece descabido e rebuscado.
Ou o que mudou foi a maré e o diabo que Passos anunciou antes de tempo está aí a chegar? A economia mundial está em abrandamento. A Alemanha, um dos pulmões da economia europeia, constipou-se em 2018 e foi por pouco que escapou à recessão. A economia cá do burgo sentiu o resfriado e dá sinais de abrandamento. As exportações caíram 25 por cento (um quarto). Será que o lume brando que iria cozer lentamente o Rio do norte se começa a apagar e os arautos da desgraça partidária começam a guardar as trombetas, antevendo uma desgraça, sim, mas agora do lado contrário?
À primeira vista, o timing do desafio ao líder apontava para o despeito e o medo, de perder o lugar nas listas para as eleições que se avizinham, dos da velha guarda passista. Mas nem isso é novidade, já se sabia há um ano, desde que Rio ganhou o partido que iria esvaziar a bancada do PSD, se não completa, pelo menos significativamente. Também não será por aí…
Entre teorias da conspiração de interesses maçónicos, há quem ache que pode estar algum negócio escondido em risco caso a sangria nas listas se efetive.
Em Lisboa, há quem lembre que Montenegro ainda é considerado arguido no caso das viagens ao Euro2016 do nosso contentamento, oferecidas, no caso, pelo empresário Joaquim Oliveira, num processo distinto do das viagens pagas pela Galp. Há um ano, não era conveniente ter um líder partidário envolvido em tamanha embrulhada. E agora, será que algo mudou e Montenegro já sabe?
Hoje se clarificarão as águas do rio turvo em que parece correr o PSD. Até ver… e com alguns espectadores atentos. Adão Silva e José Silvano, por um lado, o lado de Rio, Hernâni Dias (que hoje estará no Conselho Nacional a votar, juntamente com Jorge Fidalgo) e Jorge Nunes, do outro.
Certo é que nada ficará como dantes. De uma maneira ou de outra.

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