A opinião de ...

Tempos de deriva e de incerteza

Há 50 anos ninguém acreditava que o mundo estivesse, ambientalmente, à beira do abismo. Mas, em 1969, o Clube de Roma para as questões ambientais publicou o relatório The Limits of Growth (Os Limites do Crescimento) e pôs a Ecologia na ordem do dia.
De então para cá, as questões ambientais perseguem-nos e estabelecem-nos dead-lines (datas-limite ou de morte) para resolvermos muitos problemas como a desigualdade na distribuição de recursos; as agressões ambientais que provocam alterações climáticas que alteram, por sua vez, o habitat das centenas de milhares de espécies que habitam o nosso planeta tendo conduzido já ao desaparecimento de 60% delas; a poluição com origens variadas, que destrói a camada de ozono e faz aquecer o Planeta; o esgotamento dos principais recursos como a água; a desigualdade demográfica entre continentes e suas consequências na deslocação e migração das populações.
Hoje, as questões ambientais são a principal fonte de incerteza. Não sabemos quanto tempo poderá durar o nosso Planeta nas actuais formas de actividade humana. Não sabemos se o Planeta vai sobreviver ou, mesmo, transformar-se e dar origem a novas formas de vida. De qualquer forma, os especialistas em Ciências Ambientais não dão muito tempo à actual relação entre os homens e a natureza. O Planeta pode degradar-se ambientalmente muito rapidamente com consequências inimagináveis. E não tem recursos para mais que seis mil milhões de seres humanos quando já tem mais de sete mil milhões e são esperados, para o ano 2100, doze mil milhões.
Na origem de toda esta incerteza ambiental estiveram os homens e as suas diferentes actividades na natureza, as quais conduziram à degradação desta.
Mas, nas relações sociais que os homens estabeleceram entre si criaram outras incertezas cuja sofisticação foi evoluindo até à actual degradação das relações internacionais e invenção/ construção de sofisticados jogos de poder político, estratégico e militar.
Já nos chegava a luta, ainda que civilizada (mas nem sempre) entre ricos, remediados e pobres, primeiro no interior de cada comunidade, depois, de cada país, depois em blocos continentais, quase sempre sob as bandeiras Esquerda/ Centro/ Direita ou Classe baixa/ Classe Média / Classe Alta ou ainda Comunistas/ Sociais-Democratas e Liberais ou, finalmente, Trabalhadores/ Gestores/ Proprietários. Agora, exporta-se esta luta para as relações intercontinentais e incendeia-se o diálogo misturando-lhe perigosos jogos de guerra.
O mundo está assim perigoso e as pessoas sentem-no. Tentam aconchegar-se reagindo contra a incerteza em que vivem. Nem sempre escolherão a melhor via mas é a via do contraditório. Ou seja, se é a Esquerda que está no Poder, reage-se elegendo pessoas que se dizem de Direita. Se é a Direita que está no Poder, elegem-se pessoas que se dizem de Esquerda. Mas as práticas dos eleitos só depois de exercerem o Poder são conhecidas. E são, geralmente, desagradáveis e portadoras de novas incertezas.

Edição
3704