A opinião de ...

Artur

Há homens que imprimem uma marca no seu tempo, no local onde vivem e, sobretudo nas pessoas, com quem se relacionam, de tal forma vincada, impressiva e duradoura que difícil e tardiamente se diluirá. Artur Pimentel foi um desses homens. Cultivou, como poucos, as relações humanas, sem exceções e brindou alguns de nós com uma amizade sincera, desinteressada, íntegra e solidária.
Foi um político de eleição. A sua integridade, honradez e espontaneidade só encontravam rival no seu tratamento humano, afável e tolerante.
Já há algum tempo que o não via. Ultimamente falámos mais ao telefone por causa da sua saúde precária. Não faltam, contudo, recordações dos últimos vinte e cinco anos, embrulhados na saudade, óbvia e na bonomia contagiante que colocava em tudo o que fazia e se empenhava.
Sempre interessado e disponível para dar o melhor de si em proveito da gente e da terra que, afortunadamente, repetidamente o elegeram para liderar. Foram muitas e variadas as circunstâncias em que a sua inteligência, determinação que aliava, como poucos a uma atitude conciliadora e generosa foram essenciais para levar a bom porto alguns projetos, realizações e empreendimentos, com ganhos para o seu concelho e, igualmente, para a região.
Artur Pimentel, enquanto Presidente da Câmara de Vila Flor foi sempre um apoio firme e determinado com que contei, enquanto fui dirigente da Associação de Municípios da Terra Quente. Igual privilégio tiveram outros dirigentes e agentes locais e regionais que com ele trabalharam, dele dependeram ou, simplesmente, com ele interagiram. A sua amizade que, felizmente para mim, se prolongou muito para lá da minha estadia em Mirandela, veio proporcionar-me factos e circunstâncias que hoje lembro com grata recordação. Das várias palestras que vários cientistas levaram aos alunos da Escola Secundária de Vila-Flor e de onde todos regressaram, maravilhados com a firme vontade de regressar, há duas que me marcaram muito mais que as outras. A primeira vez que o Professor António Coutinho se deslocou à Vila da Flor de Lis e que nas vésperas da sua apresentação ficou, noite dentro, a conversar com o Presidente da Câmara, rendido ao seu carisma e retidão de pensamento e a infortunada noite que igualmente precedeu uma conferência dupla levada a cabo pelo casal de cientistas Sérgio Dias e Maria Mota, atual Diretora do IMM e que, ao jantar, no Solar Bragançano, assistimos, atónitos e consternados à morte, no relvado do Estádio do Vitória de Guimarães, do jovem e promissor futebolista das águia Miklos Feer.
Mas tenho presente uma circunstância, que julgo posterior, no seguimento de uma reeleição sua, não sei bem qual, mas é isso pouco relevante, em que me pediu para o acompanhar numa visita a um empreendimento que pretendia, se possível replicar em Vila-Flor. Avisara-me que viria acompanhado de vereadores da Câmara. Nada de estranho haveria se os vereadores que o acompanhavam não fossem, na sua maioria, da oposição. Estavam ali, com ele, empenhados e rendidos os homens que poucas semanas antes o defrontaram numa campanha dura e desgastante. Era assim, foi assim, o Dr. Artur Guilherme Gonçalves Vaz Pimentel, quando Presidente da Câmara de Vila Flor. Não só, mas também por isso, será lembrado e, estou certo, servirá de exemplo a muitos atuais e futuros autarcas. Para bem da classe política e, sobretudo, da nossa terra.

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