A opinião de ...

Desafio sempre novo: «Nascer de novo» (Jo 3, 3)

Neste novo ano, e a convite do Papa Francisco, somos todos convidados a caminhar em direcção à fundamentação missionária, ou seja, re-descobrir a vocação e eleição como dom maior de Deus para cada um de nós. Este processo de re-descobrimento antecede um encontro e, por isso, implica uma profunda conversão e mudança. Não um encontro qualquer, mas aquele encontro que nos transforma, que nos muda, que faz morrer o nosso ‘eu’ velho e nos projecta para um novo estado de ser e de estar. É seguir a proposta de Jesus a Nicodemos: «nascer de novo» (Jo 3, 3). «Ao sentir a presença de Deus, o homem, adulto ou criança, vê a sua miséria e começa a inquietar-se – ou não – com a necessidade de se converter, de ouvir o convite de Jesus para “nascer de novo” (Jo 3, 3). Só assim se vai formando, paulatinamente, o homem novo, aquele que vive de Deus e para Deus» (Luís M. Fernandes – «Crianças com lume no peito»).
Por outras palavras, é voltar à vida uterina; àquele lugar onde somos gerados em amor e em espectativa; onde a esperança de um encontro brota de um novo re-conhecimento, onde toco, vejo, sinto, contemplo. Cavedo sabiamente esclarece este processo: «considerando que a conversão cristã é um novo nascimento, é lógico dizer que o neo-convertido parte do zero como um neonato e se deixa nutrir com o leite da catequese cristã, para nascer um homem novo. Tornando-se adulto em Cristo, não cessará de ser criança no sentido de totalmente dependente de Deus» (In., GUARDA, J. – «O carisma dos pastorinhos de Fátima»).
Este é ‘o’ desafio! O novo ano que se nos apresenta, projeta-nos para o “o homem novo”, onde a santificação surge como caminho purgante, unificador e transformador. A santificação é um dom, é graça, é «um acontecimento espiritual oferecido gratuitamente [e distintamente] à liberdade humana» (Domingos Terra – «Espiritualidade da infância»). Sejamos audazes! Sejamos diferentes! Comecemos uma vida nova de entrega permanente a Deus a partir da conversão como acto de reparação, ou seja, de reconstrução da humanidade esquecida e afastada do amor de Deus. Esta é a indelével marca da conversão! Por outras palavras, é o renunciar de mim mesmo e entregar-me a Deus pela salvação dos outros ou, na linguagem espiritual, entregar-me pela conversão dos pecadores. Na verdade, quando O começamos a amar sentimos que é preciso, que é necessário e que é urgente que todos O amem e sintam a presença terna e inebriante da graça de Deus tal e qual como nós a sentimos. A alegria é tanta que não a pudemos guardar só para nós: somos contagiados a espalhar esta alegria. Tornamo-nos, assim, discípulos missionários! De forma tão simples e tão profunda, nesta eloquência do coração, Santa Jacinta diz: «Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!» (In., «Memórias da Irmã Lúcia», vol. I).

«A maior tragédia da vida é não saber o que fazer com a vida» (José Saramago, escritor), por isso saibamos nós ser audazes e capazes de fazer deste novo ano um ano de conversão, de santificação, de missão, de discipulado e de comunhão.

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3712