Mirandela // A “cozinheira” de artes decorativas Por: / Secção: O Olhar / 27-03-2008 · 13 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Folha de ouro e prata, técnica do guardanapo, pintura de arte sacra, pintura em gesso e terracota, bem como de marfinite, madeira e resina são alguns dos trabalhos da artesãChama-se Noémia Lemos, nasceu na aldeia de Cubo (Carrazedo de Montenegro), há 48 anos. Radicou-se em Mirandela, há mais de 30 anos, onde casou e deu à luz três filhas (Vera, Catarina e Joana). Quando chegou à cidade do Tua, trabalhou durante 14 anos num comércio local. Mas, no início da década de noventa, Noémia e o marido decidiram apostar na gestão de um café – O batalhão – e um mini-mercado, no espaço contíguo, situado no bairro de São João, mais concretamente na rua Carlos Lopes, em homenagem ao campeão olímpico da maratona. Ao longo dos anos ficou a ser conhecida pelas suas qualidades de cozinheira, que passou a ser a sua principal actividade. Cerca de oito horas diárias é o tempo que ocupa na cozinha. “O café tem fama pela qualidade do rancho que atrai sempre muita gente aos dias de feira”, conta Noémia ao Mensageiro, enquanto arruma a enorme panela que serviu para confeccionar esse prato típico. “Tive de me desenrascar e aprender a cozinhar, porque a vida sempre foi difícil e não havia possibilidade de contratar mais ninguém”, diz. No entanto, confessa que acabou por ser uma boa solução. Agora “dá-me prazer confeccionar várias iguarias e saber que as pessoas gostam dos meus cozinhados.” Uma tese confirmada em absoluto pelo marido, Rui. Mas, esta “cozinheira” tem outra paixão na sua vida. As panelas dão lugar aos pincéis e outros materiais usados para produzir objectos de artes decorativas. “Aqui passo grande parte do meu tempo livre, há muito anos”, revela Noémia, na sua “oficina” improvisada, onde não faltam dezenas de peças. Esta paixão pelo artesanato e pelas artes decorativas já começou há 16 anos. “Comecei com peças em estanho e só depois tive conhecimento de cursos de arte decorativa”. Em seguida foi aprendendo a realizar trabalhos com recurso a várias técnicas de decoração, “mais por gosto do que pelo rendimento”, conta. “Desde então, nunca mais parei”. Noémia afirma que já esteve em diversas acções de formação, porque “é preciso estar actualizada sobre os materiais que se usam”. Ao lado, o mini-mercado serve também de local de exposição das suas peças. Quando entramos foi nítido o brilho nos olhos de Noémia, orgulhosa das centenas de trabalhos realizados. Em exposição, estão diversos objectos decorativos, resultantes de técnicas como a folha de ouro e prata, técnica do guardanapo, pintura de arte sacra, pintura em gesso e terracota, bem como trabalhos de marfinite, madeira e resina. A sua vida profissional – restauração – não lhe concede tempo para poder desenvolver ainda mais esta actividade, mas sempre vai fazendo alguns trabalhos de decoração para familiares e amigos e algumas encomendas que vão chegando. Noémia confessa que a sua casa e das suas filhas “têm imensos trabalhos feitos por mim e tenho muito gosto nisso, porque é uma marca que deixo para sempre.” De resto, tem peças espalhadas um pouco por todo o lado, desde os Açores a Paris e até na casa do Benfica de Filadélfia. Nas épocas festivas, principalmente no Natal, as ofertas de Noémia são, na maioria, peças da sua autoria e também reconhece que são épocas em que existem mais encomendas. Os preços das peças oscilam entre os 10 e os 100 euros, mas “não é um negócio que seja rentável ao ponto de apostar na abertura de um espaço para esta actividade”, confessa. Nos últimos dez anos, diz já ter ensinado esta arte a mais de uma centena de pessoas, com idades entre os 18 e os 70 anos, e “continuo a dar formação a cerca de duas dezenas de pessoas que gostam destas coisas.” Aliás, Noémia considera que é a “responsável” pelo crescimento desta arte na região, dado que muitas pessoas já fazem trabalhos para as suas famílias e, por isso, também não concorda quando se diz que esta é uma actividade em vias de extinção. Ao mostrar os diversos objectos que tem em exposição, conta que cada uma delas tem a sua própria história e também vão surgindo “conforme a inspiração do momento.” A sua preferência vai para a arte sacra e admite que a peça que mais a marcou foi a da ceia de Cristo em estanho, porque “foi das primeiras que fiz e demorou imensas horas a realizar”. Este e outros trabalhos já estiveram em exposição no hospital de Mirandela, onde voltará a estar no próximo Verão. Os convites têm surgido, mas confessa que “dá muito trabalho e, infelizmente, o meu tempo não dá para tudo”. De resto, bordar e pintar em tecido são outras actividades que merecem a sua dedicação, conta Noémia que mostra, com satisfação, o último trabalho de uma colcha branca com várias flores pintadas. “Vai direitinha para a minha cama”, afirma. Aproveita as feiras de artesanato para trocar informações sobre a arte e tirar ideias para o futuro. As revistas temáticas de artes decorativas são as suas preferidas, porque Noémia é firme na sua intenção de não parar. “É um bichinho que tenho dentro de mim.” Para além desta actividade, esta “cozinheira” de arte sacra tem o sonho de regressar um dia a Filadélfia, onde esteve há 17 anos. Admite não ser grande fã de televisão e cinema e, quando pode não dispensa uma boa açorda de marisco, o seu prato de eleição.

13 Comentários
Mai0r 0rguLh0 Das FiLhas !!
Amam0s^te Ma~e !!
Beijinh0s
Meus pais também são da aldeia do cubo .
Sou neta do Sr.Otavio.
Parabéns pelo sucesso.
Elisabeth
Deixo o meu e-mail para quem tiver interesse e queira trocar umas ideias sobre as diversas tecnicas e artes decorativas.
noemiarui@sapo.pt
Noemia Lemos
Estou começando com artesanatos nessas tres modalidades, gesso, madeira marfinite.
Grato pela força.
Atenciosamente,
Luiz C. Mello.