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Vila Real // Acordes bicentenários Por: Ana Teixeira / Secção: O Olhar / 08-01-2010 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Teixeira
Andam todos por “carolice”, porque sentem a música bem lá no fundo. Respiram e sopram claves de dó, fá e sol em todos os encontros, sejam ensaios ou apresentações. Não têm medo de desafiar, nem de trilhar caminhos inovadores. Eles são a Assoc

Recordam com entusiasmo os velhos tempos de banda, porque nunca esqueceram onde começaram a dar os primeiros acordes musicais. Foi ao som do trombone, do clarinete, da trompa, do bombardino, do fagote, da flauta, do saxofone alto ou tenor, do trompete, da tuba e dos instrumentos de percussão que o Mensageiro percorreu os cantos à casa e conheceu a história da Banda. Num misto de melodia filarmónica e sons contemporâneos. Diferenciam-se pela disparidade de idades, mas todos têm uma coisa em comum: o gosto pela música. E é isto que reforça e torna mais fortes as ligações e o entrosamento entre todos. Ao longo da sua história, centenas de pessoas foram escrevendo linhas de actuações e de amizades que ficam no “coração”. A Banda de Mateus comemora em 2010 o seu bicentenário e nada melhor do que celebrar esta data com um programa recheado de espectáculos e actividades. A banda está bem viva e recomenda-se. Tudo começou com Frei Vicente no século passado, corria o ano de 1810, quando reuniu um grupo de rapazes para cantar na missa. “Foi assim que emergiu a Banda de Mateus”, lembrou o director Marcos Eiriz, com um grupo coral cujo único objectivo centrava-se em tocar músicas de foro religioso. Muito tempo passou desde a constituição do pequeno grupo, onde inclusive o Frei Vicente passou a integrar e a participar também na animação de rua, uma actividade que ainda hoje se mantém. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, já dizia o provérbio, mas a única coisa que mudou nestes 200 anos foi a denominação da associação. De Banda de Música de Mateus, seguiu-se a Banda da União Portuguesa, a Música Velha de Mateus até que chegou, hoje, à Associação Cultural e Recreativa da Banda de Música de Mateus.

“A música é um privilégio”

Desde o ano passado que a Banda de Mateus é liderada por um novo profissional da música. De nome Nuno Pinto, considerado um dos melhores clarinetistas mundiais, divide o seu tempo entre Vila Real, Porto e as várias cidades nacionais e internacionais por onde actua. A Banda de Mateus foi o início de um futuro recheado de sucesso, não fosse ele proveniente de uma família dedicada à música. Entrou com oito anos, em 1985, na Festa de Abambres, e lá permaneceu durante dez anos. “Aceitei o desafio de ser presidente por causa deste momento em especial e pelo amor à banda”, confessou Nuno Pinto, não esquecendo os proveitos que a sua passagem pela banda lhe proporcionou. “Hoje sou músico e faço disso a minha vida, porque a banda existiu. Não estou a pagar uma dívida, porque nunca a vou conseguir pagar, mas pelo menos dou o que posso para manter a instituição viva. É um privilégio.” Com uma longa tradição musical que uniu e desuniu amigos, a Banda de Mateus foi, em tempos, o “ponto de encontro” de gerações. E é este o desafio a que se coloca Nuno Pinto, o de “juntar e trazer as pessoas, para que esqueçam as diferenças e olhem as semelhanças: a dedicação a esta instituição.”

Banda filarmónica com reportório contemporâneo

Poucos são aqueles que se atrevem a caminhar por caminhos incertos, mas a Banda de Mateus tentou a sua sorte e foi bem sucedida. Oferecem e dispõem de um conjunto de músicas diferentes do habitual e é isso que cativa as pessoas. Os elementos que compõem a banda mostram a sua heterogeneidade musical: a capacidade de se adaptarem a novos sons e estilos. Ainda que percorram os compassos de espera e as pausas, ora longas, ora breves, mínimas ou semi-mínimas, o certo é que tocam músicas tradicionais de romaria e de festas, bem como os acordes de bandas nacionais, como os Xutos e Pontapés. “A ideia tradicional está a mudar um pouco e o reportório para a orquestra de sopros tem também sofrido evoluções”, contou, ao Mensageiro, o maestro da Banda, Carlos Pereira. Com o surgimento de “novos compositores” que se dedicam apenas a “escrever para as bandas”, a escolha e a variedade de peças ajudam a levar a bom rumo a inovação e a distinção musicais, bem como a “actualização” dos instrumentos. “Vamos sempre fazer as rapsódias tradicionais portuguesas e, como vertente mais moderna, peças escritas para bandas e arranjos de música ligeira, como os Xutos e Pontapés, os Quinta do Bill, e alguns êxitos internacionais. A orientar cerca de seis dezenas elementos, entre os oito e os 60 anos, durante os últimos quatro, Carlos Pereira mencionou que “nem sempre é fácil trabalhar”, dada a “juventude do grupo e o seu amadorismo”. Contudo, não descartou as “vantagens e as respostas interessantes e válidas” que os jovens músicos têm mostrado não só nos ensaios como nos espectáculos. “Tem sido um prazer trabalhar com eles.”

Acordes do passado e do presente

O Mensageiro falou com um ex-músico da Banda. António Pinto tem 68 anos e dedicou grande parte da sua vida ao grupo. Começou em 1956 e só viu o sinal de paragem em 2000. Contou várias histórias que a ida às romarias e festas lhe permitiu viver. Descendente de uma família com dotes para a música, cedo envolveu as claves e o seu trombone. A passagem pela Banda foi “muito agradável”, mas olha agora para o semblante da Associação bicentenária e não lhe restam dúvidas: “nunca a banda esteve como está actualmente”. Com “músicas diferentes” a chegar ao ouvido dos vila-realenses, António Pinto não esperava que, hoje, houvesse “tanta juventude” a gostar e a lutar pela Banda de Mateus. “No meu tempo era uma média de 28 elementos com apenas quatro jovens. Agora é ao contrário”, recordou. Sempre que pode, lá vai assistir às actuações, nunca esquecendo as suas viagens em “carrinha de carga de caixa aberta e as dormidas em palheiros”. “Acho que a freguesia tem e deve sentir muito orgulho.” Virou-se a página e vemos hoje na juventude, o futuro da Banda. Paulo Martins tem 12 anos e começou nestas andanças em 2009. A razão por estar ali foi fácil de explicar: “quando era pequeno gostava muito de instrumentos e depois o meu pai decidiu inscrever-me aqui”. Confessou que é “difícil”, mas pretende “continuar” por mais uns tempos. Ao som da trompa, vai crescendo ao lado de quem sabe, como Márcio Cardoso de 25 anos. Toca trompete há 15 anos na Banda. “Comecei aqui e por aqui fiquei, onde aprendi a música”, relembrou. Ao longo de todo este período, Márcio Cardoso já conheceu muitas pessoas, músicos e maestros, já passou por muitas romarias e o mais importante, disse, são os “laços que se criam”. No entanto, o mais “complicado” em toda esta envolvente é quando se “registam grandes fossos de idades”, mas há que “saber lidar”. “Quando entrei era dos mais novos e agora sou dos mais velhos.” Quanto ao reportório, o importante é a “preparação e a adaptação”. Com “grandes actuações” a chegar a passos largos, é preciso “muito trabalho e sacrifício”, mas “quem anda por gosto não cansa”. Com certezas de que as pessoas vão gostar e ser surpreendidas, o músico salientou que “não pode haver melhor prémio que o reconhecimento”.

Bicentenário com extenso programa

Para mais tarde recordar e querendo ser um marco entre as bandas, a direcção da Banda de Mateus preparou um plano de concertos e actividades dignos de uma associação bicentenária. O grande dia está marcado para 16 de Janeiro com um jantar de gala, onde irão actuar, além da Banda vila-realense, os Clarinetes Ad Libitum, com Nuno Pinto. Ainda em Janeiro, no dia 30, haverá um concerto na Igreja de Mateus, enquanto que, a 13 de Março, o Teatro de Vila Real vai receber uma gala de ópera, com vários grupos do concelho. Também em Maio e Junho, está programado um concerto histórico sobre a Banda, em conjunto com a ACROLAT’in, e os tradicionais concertos intermédios, com a Mateus Brass, um grupo de metal da banda. O concerto de encerramento será de âmbito filarmónico nos fins de Setembro e inícios de Outubro na freguesia de Mateus, com direito a um despique de bandas.

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3 Comentários Feed

carlos pereira · escreveu em 09-01-2010 às 15:37:12
isto é cultura musical, meus amigos.muito se deve louvar o mensageiro que leva ate nós estas noticias.um bem haja. e para a banda os maiores sucessos.
david pereira · escreveu em 11-01-2010 às 23:59:44
Achei muito interssante esta noticia, porque é uma forma de divulgar a nossa cultura músical da nossa regão.
Eugénia Clara · escreveu em 12-01-2010 às 00:04:34
Que bom que é saber que na nossa região existem bons músicos, ao nível dos melhores a nivel nacional.
Parabéns Banda de Mateus, parabéns Mensageiro.
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