. // Até os novos sinais envelhecem Por: / Secção: Editorial / 14-02-2010 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
.Este domingo fiz a estrada que liga Bragança a Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela, para pregar na festa de S. Brás. Fui pároco daquela vila durante sete anos, até ao ano de 2000. Durante esse período fiz muitas vezes esta mesma estrada. Já há alguns anos que não fazia esse percurso. Verifiquei que em muitas localidades foram renovados os sinais de trânsito. Em todas elas desapareceram o sinal que avisava os condutores de aproximação de um local com crianças. Habitualmente encontravam-se próximo das escolas, que entretanto foram fechando. Em muitas delas, agora, vê-se um sinal de indicação de um local frequentado por idosos. O código da estrada prevê, desde 1998, a colocação desse sinal de perigo próximo de locais como lares, jardins ou parques frequentados por idosos. Os sinais de trânsito dão conta dessa triste realidade em que se estão a transformar as nossas aldeias: em lares de idosos. Nas nossas aldeias renovam-se os sinais de trânsito, mas a população envelhece e vai desaparecendo. No alto do monte, sobranceiro à Torre, onde se celebra a festa de S. Brás, reúnem-se pessoas vindas das localidades vizinhas. Dez anos depois de ter deixado aquela paróquia, notei uma grande diminuição nos fiéis que participavam na celebração eucarística. Não se deve essa quebra ao demérito do pároco, que agora tem o encargo pastoral daquelas comunidades. Durante estes dez anos, devem ter falecido mais de duzentas pessoas, só na Torre e outras tantas, ou mais, nas localidades vizinhas. Muitas dessas participavam habitualmente na festa de S. Brás, hoje deixaram o seu lugar vazio, porque foram poucos os que entretanto se fixaram nas imediações e não ocuparam o seu lugar. Assim vai envelhecendo e desaparecendo a população no interior do país. O Presidente da República chamou a atenção para esta realidade na sua passagem por Penamacor, à margem do Roteiro dedicado à inovação nas comunidades locais. O Chefe de Estado defendeu a criação de um “programa de repovoamento rural”, como forma de “criar condições para a retoma das actividades agrícolas e o desenvolvimento de actividades complementares como o turismo, o artesanato, as artes e ofícios e os serviços de proximidade”. Referiu também as responsabilidades das autarquias em “valorizar a potencialidade produtiva” dos concelhos, “chamar a atenção para os recursos próprios, que não estão a ser aproveitados” e “vencer a dificuldade de relacionamento entre diferentes agricultores e diferentes empresários que, dado o seu individualismo, têm dificuldades na cooperação”. Seja por um programa de repovoamento, seja pelo investimento na agricultura nas actividades complementares, seja pela discriminação positiva, alguma coisa tem de ser feita para salvar o interior, estancar o seu despovoamento e garantir aos que cá vivem “as mesmas oportunidades de desenvolvimento” das do resto do país, como, também, realçou o Presidente da República, em Penamacor.

3 Comentários
É lamentável que num País tão pequeno como o nosso, haja assim tantas diferenças de oportunidades. Fazem falta as pequenas oficinas que já existiram e que jamais existirão por factores vários; falta apenas: EMPREGO. Sem isto não haverá gente, JAMAIS.