Olhar // Nordeste Transmontano

Áreas protegidas vão ter Plano de Ordenamento revisto no próximo ano

António G. Rodrigues em Qui, 06/10/2016 - 15:51

Garantia deixada pela Secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, em Bragança, à margem da Convenção Europeia de Montanha, que juntou mais de 350 investigadores de 30 países diferentes.
É uma reinvindicação antiga, uma ânsia da população, que se veem cada vez mais constrangidas no seu dia a dia pelo facto de viverem numa área protegida. Mas o Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho e o do Parque Natural do Douro Internacional vai ser revisto já a partir do início de 2017.
A garantia foi deixada esta segunda-feira pela Secretária de Estado do Ordenamento do Território, Célia Ramos., que participava na X Convenção Europeia da Montanha, organizada pela EUROMONTANA em diferentes regiões da Europa e em colaboração com uma das 75 organizações que a integram, neste caso, o Instituto Politécnico de Bragança. Este ano a Convenção Europeia da Montanha foi dedicada às alterações climáticas tendo como objectivo definir soluções de adaptação e de mitigação dos efeitos das alterações climáticas ao nível de setores da atividade económica como a agricultura, energia, água, transportes e turismo, entre outros.
À margem da sua intervenção, e questionada pelo Mensageiro, Célia Ramos revelou que a revisão dos Planos de Ordenamento das áreas protegidas vai avançar ainda este ano, chegando ao Nordeste Transmontano no “primeiro trimestre de 2017”.
“Além do Parque Natural de Montesinho temos o Douro Internacional, uma área vastíssima de rede Natura 2000. Não olhamos para as áreas protegidas como condicionantes. Não queremos que as pessoas que habitam essas áreas olhem para as áreas protegidas só como restrições e condicionantes. A riqueza e biodiversidade que aí existe depende das atividades e dos homens e mulheres que vivem nessas áreas.
Estamos decididos a comunicar esta dimensão de forma que seja bem percetível por estas pessoas ao mesmo tempo que temos de lhes dar nota que existem oportunidades que passam pelo desenvolvimento de turismo natureza e que terá um bom acolhimento. Tem de haver uma aposta na diferenciação destas áreas, que durante anos e anos se proibiu e agora queremos utilizar, mas não de qualquer maneira. De forma sustentável e com os valores que permitem distinguir Montesinho de todas as outras serras”, explicou a governante.
Por isso, explica que “vai ser preciso fazer alterações”. “Deixará de se chamar plano e passará a chamar-se programa. Até 2018 temos de ter os 25 programas das áreas protegidas elaborados”, frisou, garantindo que o processo envolverá a consulta às populações que ali habitam.
“Com certeza que haverá consulta à população. Não se pode trabalhar sem o envolvimento e cumplicidade das pessoas que vivem nessas terras. A nós, Ministério do Ambiente, compete zelar pelos interesses daquelas áreas, nomeadamente habitats diferenciados, mas temos de saber comunicar às populações como vamos conseguir manter esses habitats.
Não se vê outra forma para elaborar planos. O programa também tem um plano de ação, onde vamos elencar o que é importante fazer para alcançar a conservação de determinados habitats e o que é preciso fazer para que as populações residentes sejam os principais atores na conservação desses mesmos habitats e de como poderão ter rendimentos”, prometeu.

Preocupação com fenómenos extremos e a sua implicação na agricultura transmontana

Ao longo de dois dias, discutiu-se em Bragança quais as implicações para a região com as alterações climáticas.
“As alterações climáticas são, hoje, o desafio mais importante que o Ser Humano enfrenta. Sabemos que a tendência é que haja fenómenos extremos, quer de calor quer de frio, tendo quer um quer outro efeitos muito nefastos na vida das pessoas.
É importante que estes investigadores apontem soluções para que o fenómeno de alterações climáticas seja visto como algo preocupante, que possa ser debelado, para que amanhã nós e as gerações vindouras não venham a encontrar um planeta completamente destruído mas saudável e que possa acolher todos os que cá moram, que contribua para aumentar a capacidade produtiva dos que moram nestes territórios”, explicou o presidente da Câmara de Bragança, revelando que o próprio município está “a ultimar a estratégia de adaptação às alterações climáticas”.
 
(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)