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Cafés e restaurantes do centro histórico queixam-se da falta de ecopontos

Marta Pereira/Glória Lopes em Qua, 06/12/2017 - 16:08

A falta de ecopontos tem sido um problema para os trabalhadores dos cafés e restaurantes situados no centro histórico de Bragança, que têm de se deslocar cerca de 300 metros para reciclarem o lixo.
Neste local existem vários estabelecimentos na área da restauração, o que agrava a situação, por serem negócios que produzem muito lixo.

Gabriel Andrade, sócio-gerente do Café Chave D’ouro, considera que a dificuldade não reside só na falta de ecopontos próximos, como também no número reduzido de contentores de lixo indiferenciado existentes naquele local.
“É uma zona onde há restaurantes, bares e cafés e todos os dias acumula-se bastante lixo. Às vezes à noite os contentores já estão tão cheios que é difícil por lá o lixo”, explicou.

A distância do seu café ao ecoponto mais próximo impede o sócio-gerente de fazer reciclagem  tantas vezes quanto queria.  “Ao fim de semana fazemos reciclagem, mas pouco, deitamos quase tudo nos contentores normais”, referiu.
Alexandre Augusto Pires, dono do Café Monte Carlo, queixa-se do mesmo.

Confessou que já desistiu de fazer o depósito nos ecopontos porque a distância o impossibilita de transportar sozinho o vidro e o plástico que acumula todos os dias no seu estabelecimento.
“Faço aqui a separação mas depois tenho que por o lixo todo junto no contentor indiferenciado. Isto prejudica não só os cafés mas também os moradores daqui”, salientou.

Também é um problema para Eufrásia Afonso, gerente do restaurante Sport, que opta por ir de carro até à Avenida do Sabor para depositar as garrafas. Não o faz nos ecopontos mais próximos porque considera que, “para além de estarem longe, também são muito pequenos”.
“Acabamos por não reciclar tudo porque não temos onde por, e às vezes não dá muito jeito levar o lixo tão longe. O ideal era se houvesse aqui um mais perto”, referiu.

O restaurante Poças faz a separação do cartão, plástico e vidro e faz o depósito diariamente no ecoponto mais próximo que fica a 300 metros do restaurante, na Rua Emídio Navarro.
Rogério Alves, empregado do restaurante, não entende a ausência de ecopontos na zona histórica, facto que o obriga a carregar diariamente cerca de 10 a 30 quilos de sacos de vidro à mão até ao vidrão mais próximo.
“Onde se verifica que há aqui vários estabelecimentos comerciais, não é aceitável que uma pessoa tenha que se deslocar 300 metros para depositar esta quantidade de lixo”, frisou.
O funcionário diz que já alertou a câmara sobre este problema e sugeriu uma solução.

“Podem por os ecopontos na praça Camões, que é uma zona mais encoberta e onde há um bom espaço. Ou pode optar-se por uma via mais simples, como fazem os espanhóis, nomeadamente em Zamora junto à catedral, que é por publicidade nos contentores, onde a própria câmara pode beneficiar e os cafés e restaurantes têm mais acessibilidade para depositar os recipientes e protegermos um pouco mais o ambiente”, evidenciou.

Ao Mensageiro, Hernâni Dias, presidente da Câmara de Bragança, referiu não ter conhecimento de “grandes preocupações” nessa zona. No entanto, reconhece que pode haver a necessidade de instalação de mais ecopontos na cidade e no concelho. “Não estamos fechados a essa possibilidade, até porque estamos, conjuntamente com os Resíduos do Nordeste, a fazer a identificação e a possibilidade de virmos a ter novos ecopontos na cidade e no concelho, para que também incentivemos a separação do lixo que é algo que nos preocupa.  
É bom que se faça essa separação, essa triagem, porque também é necessário que sejam valorizados outros resíduos que também são produzidos nos municípios”, salientou.

O concelho de Bragança tem ao dispor dos seus munícipes 136 ecopontos instalados, dos quais 88 na sede de concelho.
A recolha seletiva no concelho aumentou 4% no ano de 2016, face ao ano de 2015.

Segundo a empresa Resíduos do Nordeste, há uma candidatura já aprovada pelo POSEUR que prevê o reforço do 75 novos ecopontos para o concelho.

Quanto aos contentores de recolha indiferenciada instalados, a RD considerou que o número existente é adequado às necessidades.