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Escolas de Bragança afetadas pela greve dos trabalhadores auxiliares

AGR em Sex, 04/05/2018 - 11:55

A adesão à greve por parte dos trabalhadores auxiliares de ação educativa está a deixar sem aulas mais de metade dos agrupamentos do distrito de Bragança, segundo adiantou ao Mensageiro de Bragança João Rodrigues, coordenador distrital do Sindicato de Trabalhadores em Funções Públicas.
O Jardim de Infância de Sendim está encerrado com cem por cento de trabalhadores em greve. No Agrupamento de Vinhais não está a haver aulas apesar de a escola estar de portas abertas para receber os alunos.
Na cidade de Bragança, o maior agrupamento da cidade, o Emídio Garcia, está encerrado, assim como o jardim de infância do Centro Escolar da Sé.
A escola Augusto Moreno, do Agrupamento Abade de Baçal, também está sem aulas, assim como o Jardim de Infância do Agrupamento Miguel Torga.
Esta manhã, no Centro Escolar da Sé, vários pais regressavam a casa com os filhos. “Sou pobre, estou desempregado, tenho quatro filhas e agora tenho de correr a cidade toda a buscá-las. Uma estava aqui, outras na Miguel Torga, outra no Toural. Isto não pode ser. Já é para aí a quarta vez este ano”, queixava-se Alberto Gonçalves. “Isto é inadmissível. Se têm destas coisas para fazer, que fechem uma semana. Vem aqui um pobre a gastar gasolina”, disse ainda. “Está o tempo bom, podia fazer alguma coisa e é um dia perdido. Não se admite”, concluiu.
Teresa Azevedo teve sorte, pois trabalha por turnos e durante o dia pode ficar com a filha mais nova. “Tenho de a levar comigo, porque o Jardim de Infância está fechado devido à greve dos funcionários. Transtorno não causa porque estou o dia em casa. Mas há pais que vão ter outros problemas”, frisou.
“Durante a tarde não sabemos se irá funcionar. Há escalonamentos e não sabemos se vêm os funcionários da tarde. Mas é uma incerteza.
Houve um pré-aviso, que hoje haveria greve e, se não houvesse funcionários, a escola poderia não abrir nem funcionar a cantina”, disse Isabel João, da coordenação daquele pólo.
Susana Afonso chegou e voltou para trás. “Tinha visto os papéis mas como há sempre dúvida, experimentei. Por acaso estou de folga e não causa transtorno mas se estivesse a trabalhar, não tinha onde deixar a menina”, comentou.
Em causa estão várias reivindicações por parte dos funcionários.
O sindicalista João Rodrigues explica que esta luta é pela “valorização salarial, como em todas as carreiras da Função Pública”.
“Reivindicamos o fim do recurso ao emprego precário para funções permanentes, a reposição das carreiras especiais, a integração de todos os precários e que as escolas sejam dotadas do número adequado de funcionários, para além do cancelamento do processo de municipalização em curso”, adiantou.