Campeonato de Portugal

“Há muitos jogadores no Distrital com qualidade mas falta-lhes o compromisso para serem futebolistas”

Publicado por António G. Rodrigues em Seg, 2018-01-08 11:35

Há sete anos à frente do Argozelo, António Forneiro já conduziu o clube ao Campeonato de Portugal por duas vezes. A primeira vez foi há dois anos. Agora repete a presença no CPP mas lamenta que, na região, falte mentalidade competitiva aos jogadores.
Mensageiro de Bragança: Como está a ser este regresso ao Nacional?
António Forneiro: Está a ser complicada mas tem que se aguentar. Na nossa série há equipas sortes e também não temos tido sorte. Sofremos muitas derrotas pela margem mínima. Vamos ver se com o novo ano as coisas mudam.

MB.: Que diferenças encontra para aquele que foi o ano de estreia?
AF.: As equipas são mais fortes. O Fafe, o Vizela, o Merelinense desceram da II Liga e agora é normal que apostem forte. O modelo do campeonato também está diferente. Descem seis equipas e é mais complicado porque todos jogam para o ponto. É um campeonato mais forte.

MB.: Contava ter mais vitórias nesta altura?
AF.:
Já temos uma mas contava ter pelo menos 12 pontos. Tivemos alguma falta de sorte mas também nos sentimos prejudicados pelas arbitragens. Houve ainda alguma falta de experiência. Já perdemos duas ou três vezes nos descontos. Se calhar, se fizéssemos como os outros e jogássemos para o pontinho e não para vencer, como fazemos, teríamos mais. Vamos tentar somar o maior número de pontos possíveis até ao final.

MB.: Qual é o principal objetivo da época?
AF.:
Ir ganhando jogos. Sabemos que a manutenção é, agora, muito mais complicada. Vamos tentar ganhar pontos.

MB.: O que pensa do atual formato do campeonato?
AF.:
É melhor, porque é um campeonato completo (anteriormente tinha duas fases). Mas só favorece os que têm mais dinheiro. E muitas equipas, desde que conseguem os seus objetivos de manutenção, começam a dispensar jogadores, para poupar para a época seguinte. Há dois anos acontecia mais. Mas é assim que tem de se jogar. Nós vamos tentar estar com dignidade e de cabeça levantada. Há muitas equipas a descer mas já sabíamos disso.

MB.: E qual o impacto para a região?
AF.:
É pior. O Bragança e o Mirandela também não estão livres de descer, apesar de terem equipa, os dois, para fugirem disso. Antes desciam dois e agora descem seis. É muito complicado. Daqui só temos três equipas e lá de baixo há muitos. Quando uma equipa daqui precisar de pontos, os de lá de baixo não nos vão proteger.

MB.: Foi difícil montar a equipa este ano?
AF.:
Não, até foi fácil. Já tínhamos alguma experiência anterior. Mas há jogadores que só têm lugar no Distrital. Querem é treinar só duas vezes por semana, beber uns copos, ganhar uns trocos ao domingo… não querem compromisso nenhum com o futebol.

MB.: Faltam jogadores de qualidade?
AF.:
Haver jogadores, há. Mas não se mentalizam que têm de levar o futebol a sério.

“Miguel Diz? As pessoas têm de ser dignas e sérias”

MB.: O Argozelo vai fazer ajustes agora no inverno?
AF.:
  Sim. Saiu o Genê, o Adolfo e o Tiago. Vão entrar três ou quatro jogadores, alguns deles daqui.

(Entrevista completa disponível para assinantes ou na versão impressa)