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Júlia Rodrigues consegue resultado histórico em Mirandela e ganha câmara a António Branco

Fernando Pires em Seg, 02/10/2017 - 12:27

Mirandela foi palco de uma das surpresas na noite eleitoral das autárquicas, com Júlia Rodrigues a conduzir o PS à primeira vitória no concelho mirandelense, desde 1976, em que o poder local esteve entregue ao PSD, durante 35 anos, e seis ao CDS.
A deputada socialista derrotou António Branco e ganhou a maioria absoluta no executivo, dado que o CDS não conseguiu nenhum mandato para a câmara municipal, ficando o PS com quatro mandatos e o PSD com três,
Júlia Rodrigues conseguiu 47,3 por cento dos votos, contra 41,4 de António Branco, uma diferença de 900 votos que foi suficiente para obter a maioria absoluta no executivo, beneficiando da queda vertiginosa do CDS/PP, que teve o pior resultado de sempre no concelho. Paula Lopes obteve apenas 5,4% e com isso não consegue qualquer mandato.
Na hora da vitória, Júlia Rodrigues diz ter sido "a vitória de uma equipa e promete ser a presidente de todos os mirandelenses".
Júlia Rodrigues obteve uma vitória histórica para o PS no concelho onde nunca tinha ganho.
No total, o PS teve 6813 votos, mais 4000 votos que há quatro anos. Júlia Rodrigues consegue mesmo mais 2700 votos do que em 2009, quando concorreu pela primeira vez.
O PSD foi o segundo mais votado, com António Branco a receber o voto de 5973 eleitores, menos 400 votos, que há quatro anos.
O resultado fica também a dever-se ao sentido de voto nas maiores freguesias, dado que o PSD até foi o partido mais votado em 19 das 30 freguesias, enquanto o PS saiu vencedor em 11, mas entre elas estavam as maiores, como Mirandela, onde Júlia Rodrigues teve mais 1174 votos que António Branco.
O CDS ficou-se pelos 781 votos, deixando de ter representação no executivo da câmara, o que já não acontecia há 20 anos. Paula Lopes não cativou sequer os votos na sua freguesia, na Torre Dona Chama, onde foi a terceira mais votada com 18,5 por cento.
A CDU teve 1,9%, 271 votos, metade do que Eduarda Carvalho tinha conseguido, em 2013, quando também tinha sido candidata.
Até 2021, o executivo da câmara municipal passa a ser liderado por Júlia Rodrigues com Orlando Pires, Vera Preto e José Miguel Cunha a ocuparem os cargos de vereador.
Na votação para as assembleias de freguesia, o PSD cocontinua a ter a maioria, com vitória em 18 freguesias, ainda assim perde 9 juntas.
O PS conquista o poder em 9 freguesias, quando em 2013 não tinha conquistado nenhuma. Já o CDS perde as três juntas que liderava, enquanto os movimentos independentes conquistaram três das quatro juntas onde tinham candidaturas. Passam para as mãos dos independentes, as freguesias de Aguieiras, Vale de Gouvinhas e União de Freguesias de Barcel, Marmelos e Valverde da Gestosa.
Para a Assembleia Municipal, a vitória também sorriu ao PS, mas com uma diferença de apenas 63 votos. Neste órgão autárquico, que integra 31 elementos, eleitos diretamente, a que se juntam os 30 presidentes de junta, o que leva a que a maioria dos deputados seja do PSD.
Finalmente, quanto há abstenção, este ano situou-se nos 39,9%, bem menor que em 2013, quando mais de 46 por cento dos eleitores não exerceu o seu direito de voto.