A opinião de ...

CGD - A Caixa fora da caixa

O segredo de Polichinelo rebentou. O segredado pós prandial nos restaurantes e locandas de comer à moda e beber do fino de boca a ouvido em toda a Lisboa está a causar comichão ainda distante da urticária aos mandões do Banco de Portugal e figurões do bloco central dos interesses cuja génese vai do PS ao PSD, dando umas migalhas do bolo ao CDS como é cintilante exemplo Celeste Cardona.
Teria dezanove anos quando o Condado me convenceu a abria conta na Caixa, o dinheiro era escasso, recebi uma caderneta azulada, senti-me confortável na pele de dono de parcas poupanças. A sede granítica com escudo armilar da Caixa em Bragança ficava em frente do Museu. Ali pontificava o Senhor Vieira, enrolado nu sua corcova, óculos redondos, pouco dado a falas, que diabo! Era o gerente. O ambiente ganhava alacridade por via do vozeirão do Sr. Alberto (Feio), no mais para além do Condado retenho a figura simpática e bem-humorada do Veloso sempre afável, futebolista de boa técnica e exemplar comportamento.
As andanças levaram-me a guardar a caderneta, isso não impediu, antes pelo contrário, de manter estima e amizade (muito intervaladas no tempo) pelo calmo e pesado Horta, o Ribeiro, o Adalberto Castro a quem devo incentivos no sentido de prosseguir os estudos para além de elogios quando nos encontrávamos, a última vez no restaurante – Taverna – do El Corte Inglés. O Adalberto além de excelente amigo faz parte de um reduzido número de pessoas que quando há ensejo gosto de ouvir mesmo discordando dele.
Feita a evocação afectiva sempre entendi o banco estatal ao modo de mastodonte burocrático, ronceiro, funcionalizado de cima para baixo, a cúpula tudo mandava e manda, coutada do poder salazarista, caetanista, comunista e esquerdista no boléu do PREC, situacionista a partir daí dividindo réditos, influência e lugares ao ritmo dos sucessivos governos. Um forrobodó iniciado antes do ano de 2003, gestão do seráfico Senhor Sousa (hoje gestor de um suculento fundo) com quem Luís Mira Amaral entrou em colisão na Caixa e originou a ruptura de Mira Amaral com Manuela Ferreira Leite.
Um furacão de gestores escorados (estribados) no cartão partidário têm lustrado os fundilhos de calças compradas no Rosa&Teixeira dando-se ao desplante de premiarem a sua própria carteira não se ralando com o crédito mal parado, pudera, era o que fazia falta, os Berardos, os Finos e companhia limitada mereciam total e absoluta confiança, amesendavam juntos, gargalhando ante as tiradas de Joe contra Jardim Gonçalves no programa de Mário Crespo. Lembram-se?
O benquisto Veloso era repreendido na agência de Bragança por esmiuçar a condição de subgerente ao assinar manifestos a favor da CDU (pessoalmente posso não concordar), porém ninguém se atrevia a dizer aos administradores ser indesejável colocarem a sigla ADN do Partido antes do nome. O leitor tente rebuscar no baú da memória o comportamento de Faria de Oliveira na altura dos referendos ganhos por Marcelo Rebelo de Sousa. Se o fizer perceberá a razão de manter o silhão. Este Senhor dito do PSD esqueceu o ADN laranja e…manteve o referido cadeirão.
A Caixa nos últimos vinte anos conseguiu sair fora da caixa mercê da opacidade transversal do sistema, o relatório preliminar é eloquente e aponta responsáveis. Investigue-se e julgue-se. Nada mais!
PS. Há semanas escrevi um texto referente a Armando Vara e a sua circunstância. Também é visado no relatório. Apure-se. Uma coisa nada tem a ver com a outra.

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