A opinião de ...

Museus

Sou defensor da proliferação de Museus. Na qualidade de deputa apresentei e foi aprovado o projecto-lei a criar o Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento. Este Museu demorou muitos anos a ser implantado, finalmente inaugurado  tem andado ao sabor da corrente política, por essa razão fizeram-se nomeações partidárias, o Museu estagnou, há poucas semanas a CP assumiu a sua tutela. Obviamente, não gosto de ver a captura de tão importantes instrumentos culturais capturados por burocratas, incompetentes promovidos pelo cartão do partido, ignaros presumidos e de nariz empertigado.
Vem tudo isto a propósito da advertência do Presidente Marcelo em Bragança a propósito da criação de émulos do Templo das Musas a torto e a direito, sem adequado planeamento, lembrando q facto de estar anunciada a criação de dez museus subordinados ao tema da língua portuguesa. Atento e pedagógico p Professor Marcelo, sem atingir ninguém, atingindo tudo e todos, lembrou-me o mimetismo escalavrado das centenas de campos de ténis, das espaventosas piscinas em tudo quanto é sítio, não existindo recursos para pagar as despesas de funcionamento, Bibliotecas faustosas cujo quadro de pessoal exigido pela tutela e magalomania de Carrilho, num desvario despesista a pagar por nós contribuintes. Recordo a parcimónia e exemplo de astúcia da razão (Hegel) do Engenheiro Jorge Nunes na instalação da Biblioteca no antigo Liceu, acrescida na firmeza do não empolamento do seu quadro de pessoal. As referências acima apontadas podem ser alargadas a outras estruturas e gineceus opacos gordos prosápia e esqueléticos de realizações, porque a enumerá-los podia pecar por defeito desfaço a tentação. Limito-me a sugerir esta tarefa aos leitores.
O aviso de Marcelo deve ser levado a sério, ele possui boa memória, isso não impede, antes pelo contrário, impele a enriquecer-se o projectado acrescentando-lhe outras valências e representações locais, regionais e universais de forma a enriquece-lo e torná-lo em novo instrumento de Marca Maior da cidade como são em termos de Modernidade o Teatro Municipal e o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, distingo estes dois equipamentos porque possuem vida, trepidação, júbilo, controvérsia, ciúmes e…fortes aplausos mercê da programação. Gostei de visitar demoradamente o Centro de Interpretação da permanência e diáspora judaica, no entanto, não possuo dados acerca do seu viver cultural e científico. Não esqueço o Centro de Ciência Viva, porém, no simbólico da representação citadina, restrinjo-o ao Teatro e ao Centro de Arte, agora mais enriquecido.
Em tempos escrevi e falei acerca da importância do estudo e explanação total dos cinco sentidos, em época vibrante relativamente à gastronomia não existe a estrutura de difusão necessária, continuo a criticar a Entidade Regional de Turismo, todavia os visitantes têm Bragança, restaurantes e casas de comeres de grande qualidade a concitarem a memória do gosto a obrigar os viajantes, andarilhos, turistas de paladar refinado, a regressarem porque «primeiro manducarem, depois filosofarem».
 
PS. No dia 12 de Julho, em Santarém, a Doutora Maria Emília Vaz Pacheco mostrou e falou do seu livro Auto-Retrato em Portugal. Referiu as entidades que facilitaram a consulta e reprodução de documentos fundamentais para o enriquecimento da obra. Uma delas foi a Diocese de Bragança Miranda. Fiquei vaidoso. No entanto, recordei as exigências burocráticas que o Museu Abade Baçal fez ao fotógrafo Rui Gomes, para fotografar um estregogueiro, cuja fotografia seria incorporada num livro da minha autoria e editado pela Autarquia. Chinesices!
O notável Historiador de Arte, Professor Doutor
 

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