A opinião de ...

Os coletes de Marcelo

O colete é uma peça de vestuário ordinariamente sem mangas. Por isso mesmo um professor de agora não pode dizer como os professores antigamente aos alunos mais brutinhos diziam: os meninos têm uma inteligência de manga de colete. As revoluções educacionais, os pais não galinhas sim galinheiros, os receios dos docentes ante as redes sociais e por aí adiante que atrás vem gente levaram ao recurso a um jargão dúplice eivado de palavras e palavrinhas em inglês até aterrarem na Portela outras vindas da China, umas em cantonês para o vulgo e outras em escrupuloso mandarim a serem ensinadas nos Colégios das classes abonadas, todas no sentido de os brutinhos se sentirem reconfortados pois para lá de tranquilamente passarem de ano dão sossego às mãezinhas ao contrário da época da palmatória, do livro único, da retenção forçada, dos exercícios em casa entre os quais a pesquisa de sinónimos, as contas bem-feitas cuja prova real o atestava. Estou a ser bota-de-elástico? Estou a favor da escola sarnenta salazarista» Nada disso.
Não fui bom aluno, guardo excelentes recordações da professora Dona Aninhas Castro, de quatro ou cinco professores no secundário, das Universidades trouxe diplomas fundamentais a fim de progredir profissionalmente e a saudosa memória do extraordinário Padre Manuel Antunes, uma alegria concedida pelo Professor Jorge Borges de Macedo, momentos interessantes da lavra de Joel Serrão, e de Isaías da Rosa Pereira. Isto tudo para dizer o quê?
Para referir os variados coletes – cinzentos, coloridos, pretos e brancos – que julgo ter distinguido no tórax de Marcelo no ano ora findo, mas todos os coletes tinham mangas, logo prenhes de suculenta astúcia, suave toque mesmo quando o seu cabelo esteve eriçado (Tancos, Borba, Helicópteros), de felicidade no desenvolver acções destinadas a procurar conseguir o pleno no campo eleitoral nas próximas eleições presidenciais. Os coletes sem mangas não entram no guarda-roupa de Marcelo, deixa os ditos para os brutinhos fautores do tremendo fiasco ocorrido foi há poucos dias. Os poucos coletes amarelos cobriram-se de ridículo, os seus mentores inchados tal qual a rã da fábula antes do desaire, a seguir mirrados e silenciosos imitando as lesmas em época de seca rigorosa. O País ganhou ao deixar o propagandeado bloqueio (as televisões bem se esforçaram) esvair-se em si mesmo, o Professor do colete com mangas acenou e de Conrado guardou mitigado silêncio não fossem os brutinhos multiplicarem-se.
A partir de agora o Presidente que antecipadamente apoiei e continuarei a apoiar (sem perder o sentido crítico) vai aumentar a quantidade e cromatismo dos coletes, a todo o tempo e a toda a hora, mesmo quando for a banhos no mar, nos rios, nas lagoas, nos lagos, nas piscinas, demonstrando invejável energia derrotando os momentos de hipocondria, as dúvidas existenciais, ignorando (sem esquecer o registo) das ferroadas, picadas e escalda-pés provenientes de adversários de sempre e dos entrincheirados no Observador nesta altura escondidos sem perderem a «tramontana» como Portas perdeu.
Votos de Bom Ano. Ano repleto de prosperidades para o Jornal, para os leitores. Ao Director auguro sucessos nos seus comentários e opiniões.

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3711