A opinião de ...

PSD

Há escassas semanas escrevi um artigo acerca do cerco a Rui Rio perpetrado por carreiristas políticos escorados nos padrinhos de todas as causas de modo a manterem influência, logo poder, a fim de o seu trajecto de facilitadores não conhecer tropeções na senda da ambição lucrativa a todos os níveis.
Não sendo pitonisa mas conhecendo bem os fautores do nó cerceador de Rio não me surpreendeu o anúncio do golpe e em horário nobre cujo porta-voz é Luís Montenego em nome dos denominados críticos esperançados na manutenção de lugares à mesa do orçamento porque fora dele obriga-os a trabalhar continuamente, é custoso, de vez em quando muito aborrecido.
A forma de estar e actuar de militantes como Miguel Relvas, Pedro Pinto entre outros é de permanente intriga quando não ordenam directa ou indirectamente, podendo-se afirmar sem subtilezas serem profissionais competentes nessa matéria ao ponto de carecidos de currículo profissional conseguiram ao longo dos anos construírem avantajados currículos de natureza partidária dando o dito por não dito, traindo se for necessário, apenas lhe interessa o seu lucro em primeira instância, dos amigos na lógica de para eles tudo, para os restantes as sobras, absolutamente nada a todos os donos de coragem capaz de dizer não. Ora, Rui Rio diz não quando entende dizer basta.
O PSD sendo um partido inter-classista, ideologicamente social-democrata, durante o período do consulado de Passos Coelho a deriva liberalista vinda do assentou arraiais na cúpula da máquina partidária conseguindo ultrapassar pela direita os senhores da troika. Os resultados são visíveis a olho nu, o partido perdeu ânimo ganhando truques rebuscados fazendo crer aos seus eleitores que praticar a oposição é optar pela gritaria estilo balbúrdia no Oeste, em detrimento da serena análise dos problemas e defesa de soluções expeditas e bem fundamentadas para os resolver.
Sim, Rio abomina o estilo das regateiras do mercado do Bolhão, serena e firmemente apoia ou rejeita as propostas do governo, está nos antípodas do denominado populismo, não aprecia a política espectáculo, prefere a crueza espartana à agitação burlesca ao modo de um número musical de um casino de Las Vegas.
Os dados estão lançados, a resposta de Rio à provocação de Montenegro foi a esperada, agora temos de deixar rolar os dados sobre o pano verde, verificar quem beneficiaram sem escamotear-se o desassossego da maioria dos militantes de um Partido habituado a governar. As eleições estão ao virar da esquina, abrir um conflito nesta altura favorece António Costa de forma saliente em primeiro lugar, secundariamente Santana Lopes esfrega as mãos não de frio, sim de satisfação.
Se Rio ganhar a contenda não pode aceder ao leito do repouso do guerreiro, os ora críticos continuarão a tentar corroer o Partido, mesmo hibernando continuarão o trabalho de sapa até porque «ódio velho não cansa» título de um livro de Rebelo da Silva. A exterminadora dos tribunais de menor volume situados no interior do País enquanto Ministra da Justiça, a inefável doutora Paula Teixeira da Cruz, é codiciosa representante de militantes apenas interessados em si próprios.

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