A opinião de ...

III Epistola do Interior

Aos Deputados Catarina Martins e Jerónimo de Sousa
Excelências
Um cidadão português nascido em 1955 começou a trabalhar em Outubro de 1969 no sector do comércio. Tinha, então, catorze anos e meio (14,5). Em plena ditadura de Estado Novo de Salazar. Em Maio de 1971 começou a fazer descontos para a Caixa de Previdência do Distrito de... Tinha feito em Abril 16 anos e todos os meses descontava (religiosamente) para a Previdência.
Em 9 de Julho de 1976 tomou posse como funcionário público no gabinete do Ministro C.I.
Nessa data estava em vigor o Estatuto de Aposentação dos Funcionários Públicos e dizia que... com 36 anos de serviço ou 60 de idade os funcionários públicos podiam reformar-se.
Esta tomada de posse aconteceu antes de entrar em vigor a Constituição da República Portuguesa que havia de ser aprovada uns dias mais tarde para entrar em vigor.
Constituição esta que para os partidos de V. Excelências é como a «Biblia» para os crentes. E durante muitos anos V. Excelências até dormiam com essa Constituição à cabeceira da cama.
Até que lá pela legislatura 2002/2005 a sra. D. Manuela F.L. ministra da finanças achou que os funcionários públicos eram os únicos responsáveis pela «tanga» e que havia que alterar muitas coisas. E alterar o E.A.F.P. aprovando a penalização de 4,5% mensal para os funcionários que quisessem aposentar-se antes dos 62 anos de idade. Lembram-se? E onde estavam V. Excelências? De visita à Coreia do Norte ou de vista ao Podemos de Espanha?
Mas como a «tanga» era cada vez maior Sócrates e o (vosso) PS aumentou essa taxa para 6,5%. Lembram-se? Então não tinha sido melhor tê-la revogado? E os direitos adquiridos salvaguardados pela «vossa» Constituição?
Mas Sócrates e o «vosso» PS aumentou os vencimentos dos funcionários públicos em 2009. Lembram-se?
E em 2009 com o governo de Sócrates e do «vosso» PS esse cidadão farto de ser «roubado» e mal tratado pelo Estado resolveu reformar-se com 38 anos de serviço e 54 anos de idade. Penalização na reforma quase 30%. É verdade que «a direita» não revogou esta injustiça entre 2011/2015. Em 2015 os partido de V. Excelências e o «vosso» PS foram para o governo e começaram a preocupar-se, de facto, com as «longas carreiras contributivas» e começaram a reverter os roubos e a injustiça feitos a milhares de cidadãos.
Só que os partidos de V. Excelências e o «vosso» PS acham que «longas carreiras contributivas» só a partir dos 40 anos de descontos! Bonito serviço!
E então aqueles que descontaram 39 anos...
E aqueles que descontaram 38 anos...
E os de 37, 36 e 35...
E os direitos adquiridos consagrados na «vossa » constituição só são invocados nas PPPs «da direita»?
Só são invocadas quando estão em causa os sectores financeiro e económico?
Ou só são invocados quando os partidos de V. Excelências e o «vosso» PS entendem?
Pois é, senhores deputados
Bem prega Frei Tomáz...
Vs Excelências e o «vosso» PS são muito fortes e convincentes com os fracos mas são muitos fracos com os fortes, o resto é «conversa da treta»! Para os partidos de V. Excelências e para o «vosso» PS alguns gozam de todos os direitos excepto do direito ao trabalho.
Outros gozam de todos os deveres mais o de sustentar e contribuir para aqueles que não querem trabalhar.
Uns podem alterar a morada fiscal para matricular os filhos na escola que lhe dá mais jeito. E V. Excelências e o «vosso» PS não consideram isto falsas declarações!
Outros podem alterar a morada fiscal para «chularem» a sociedade e restaurar palheiros abandonados e em ruínas há mais de 30 anos.
Outros podem recensear, vinte ou trinta, a residir na mesma casa na altura das eleições autárquicas e V. Excelências e o «vosso» PS acham que com esta vigarice se aumenta a população do interior.
E V. Excelências e o «vosso» PS acham que «isso é com a justiça».
É verdade que o gabinete de gestão do «Revita» em Pedrogão é composto pelo filho de presidente da Câmara, pelo filho a Vice-presidente da Câmara e pelo ex-vereador da C.M. de Pedrogão? Então estes factos (a serem verdadeiros) inqualificáveis ainda não chegaram ao vosso conhecimento? É que, até agora, V. Excelências ainda não disseram uma palavra.
Ou o vosso silêncio tem a ver com cor política da Câmara de Pedrogão?
«Num» me digam que a Câmara de Pedrogão é do PSD ou do CDS? E «num» será da aliança de Pedro Santana Lopes?

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