A opinião de ...

Dois homens entram num lar...

Dois homens entram num bar... É o início ou de uma anedota ou de uma pegunta comum nas entrevistas de emprego.
A história continua.
Pedem dois copos de whisky, um com gelo e outro sem gelo. Um deles morre. Onde estava o veneno?
De acordo com o site Pordata, em 2017, Vimioso era o segundo concelho do país com a taxa de mortalidade mais elevada, 27,3 mortes por cada cem habitantes, apenas atrás de Alcoutim, no Algarve, com 36. Freixo de Espada à Cinta está nos 21,3 e Miranda do Douro nos 20,5.
Já no que ao índice de envelhecimento diz respeito, em 30 anos, entre 1981 e 2011, Bragança passou do 203.º lugar a nível nacional, com 46,9, para o 125.º lugar, com 187,5.
Vinhais, com 492,8, é o concelho do distrito de Bragança com o índice de envelhecimento mais acentuado. Segue-se Vimioso, com 447,2.
Ora, o índice de envelhecimento é a relação entre a população idosa e a população jovem, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos (expressa habitualmente por 100).
Por sua vez, o índice de longevidade é a relação entre a população mais idosa e a população idosa, definida habitualmente como o quociente entre o número de pessoas com 75 ou mais anos e o número de pessoas com 65 ou mais anos. Os concelhos do Douro têm os valores mais elevados. Torre de Moncorvo com 53,8, Carrazeda com 52,4 e Freixo de Espada à Cinta com 52,3. Alfândega da Fé, 51,4.
O fenómeno é comum aos concelhos da faixa interior do país.
Como se viu, em 30 anos muita coisa mudou no Nordeste Transmontano. Sobretudo o panorama e as perspetivas de futuro.
Um futuro cada vez mais longo, com o aumento da esperança média de vida.
De tal forma, que a anedota, por estes lados, se pode contar de outra forma.
Dois homens entram num lar... são pai e filho e são ambos séniores, já não têm condições para estarem nas suas casas, dadas as patologias de saúde ligadas à idade avançada.
Casos destes, em que duas gerações se encontram no mesmo lar, são cada vez mais comuns no Nordeste Transmontano. Há os que enfrentam a realidade sem medos e os que preferem tapar o sol com as peneiras...
D. José Cordeiro, bispo da diocese de Bragança-Miranda, sublinhava, na semana passada, na abertura das VII Jornadas da Família, que “o diagnóstico há muito está feito”. “o que é preciso saber é o que fazer a seguir”, sublinhava o prelado.
Enquanto se continuar a assobiar para o lado, que é sempre o mesmo, o do litoral, o lado do interior vai continuar à procura do veneno que, com grande probabilidade, estará no gelo com que estas gentes são tratadas por quem devia zelar por toda a população por igual e não apenas pelos aglomerados que dão votos a Lisboa... E esta anedota não é para rir.

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