A opinião de ...

Carção depois das estrelas……. por limites só o céu! (2)

Adriano Augusta da Costa, nasceu em Carção no dia 16 de Julho de 1902, na casa de família dos Costas, situada no então chamado Largo das Fontes,(hoje o Largo José António dos Santos) também conhecido pelos mais velhos como o Largo dos Augazileiros, talvez pelas duas antiquíssimas fontes que lá existiam, a melhor das quais foi criminosamente arrasada em meados do Século XX, quando o largo foi calcetado com o actual piso de cubos de granito. Desta casa, de considerável grandeza para a época,(onde primeiro foi montada uma grande cavalariça, depois instalada uma das primeiras e mais importantes moagens mecânicas montadas em Trás-os-Montes e, finalmente, uma muito bem surtida mercearia) foi entretanto requalificada, da qual apenas continua um terço na posse dos seus herdeiros diretos.
Com apenas dez anos, em 1912 emigrou para o Brasil com todos os seus familiares diretos, fixando-se na cidade de S. Paulo, onde viria a falecer no dia 31/12/2004, com a provecta idade de 102 anos, depois duma vida repleta de sucesso, vivida em toda a sua plenitude, cuja importância para a cultura e para a própria história desse enorme país nosso irmão, acaba agora de ser reconhecida com a criação do diploma patrocinado pelo seu nome.
Reconhecendo as dificuldades de tempo e de espaço para traçar o perfil duma figura como a deste grande e ilustre carçonense, o que talvez mais tarde e noutro contexto possa vir a acontecer, vou valer-me de toda a minha capacidade de síntese para relevar apenas a sua figura de grande desportista, generoso filantropo e, muito especialmente, de lídimo poeta da língua portuguesa.
Como desportista, numa época em que ainda era muito difícil distinguir o director do mecenas, por mais de uma vez integrou os corpos directivos do Clube Português de S. Paulo, do S. Paulo Futebol Clube e da Associação Portuguesa de Desportos.
Durante a grande evasão dos portugueses para o Brasil, especialmente na primeira metade do século vinte, transformou a sua casa numa a grande plataforma giratória, por onde passou um número incalculável de emigrantes portugueses, ajudando-os a ultrapassar as dificuldades da chegada e os problemas da integração na sociedade brasileira. Qual visionário da solidariedade, unicamente a expensas próprias, destinada à formação dos imigrantes, fundou em S. Paulo a “Escola do Saber”, onde os imigrantes portugueses podiam dispor gratuitamente de todo o apoio que lhes era facultado. Da sua extensa e valiosíssima produção enquanto poeta, permito-me destacar apenas duas das suas obras mais importantes, ambas escritas em versos de décimas:
A epopeia “Os Primeiros Bandeirantes” publicada em 1976 e que foi logo reconhecido e aprovado pelo ministério da cultura e que, ao longo dos seus vinte e nove capítulos descreve a história dos primórdios da nação brasileira;
“Vida e Obra de Alberto Santos Dumont”, publicada em 1982, na qual, em quinze capítulos´, conta a vida deste grande génio da ciência aeronáutica, desde a sua infância até aos píncaros da glória imortal.
Se ainda estivesse no meio dos vivos, perante estas duas novas estrelas da constelação de figuras ilustres da terra dos seus pais, o grande poeta Manuel A. Ferreira, também ele filho de emigrantes carçonenses, se sentiria vaidoso e feliz pela quadra por ele escrita na década de sessenta, para homenagear a terra dos seus pais e dedicada a Carção, na qual dizia assim:
“Entre Sabor e Maçãs,
Santulhão e Argozelo,
Não se chama já Carção
Mas coração do concelho”.

*(Membro do MPN,CPLGSP e ONE

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