A opinião de ...

ESTRADA CARÇÃO/VIMIOSO ESTAMOS À ESPERA DE QUÊ?

Atente-se nesta autêntica beleza de hortaliça dita, sabem por quem?
Nem mais nem menos que pelo Senhor Ministro (nem sei bem do quê) Pedro Marques, quando recentemente, foi interpolado pelos deputados do PSD eleitos por Bragança, alertando-o para o perigo eminente que representa o estado atual de degradação da estrada nº 218, no troço que liga Carção a Vimioso.
“ A IP tem um plano muito rigoroso de monitorização de todas as estradas e obras de arte da rede nacional rodoviária…….. Quando acontecem derrocadas pontuais é feita uma reparação tão depressa como é possível” – palavra do Sr. Ministro
Se o assunto não fosse demasiado sério, limitar-me-ia a pedir palmas para o Senhor Ministro, ficando tudo bem na velha paz dos Cabrais.
Mas não, não é nada assim. Dando-lhe de barato que esta afirmação possa ser fruto dum desconhecimento total desta realidade, como transmontano que, não obstante viver longe, ama a sua terra e se preocupa com a situação dos poucos, mas valentes que, ao contrário dos muitos outros, geralmente bem instalados e garantidos pelas benesses do orçamento, cujas grandes preocupações se centram em descobrir quando, como e porquê protestar, exigir e reclamar por tudo e pelo seu contrário, por lá continuam, trabalham, sofrem persistem e resistem, sinto-me na obrigação de fazer os seguintes comentários:
- Quanto a esse rigoroso plano de monitorização da IP, se nos recordarmos da recente tragédia das pedreiras,…..estamos conversados;
- No que, mais concretamente, concerne à 218, não fora o cuidado, a preocupação e a atenção constante do Sr. Presidente ca Camara Municipal de Vimioso, e a estrada, em grande parte, já estaria a tomar banho nas águas do rio Maçãs;
- É preciso lembrar que este troço de dez quilómetros foi feito em duas fases. Primeiro, à cerca de um século, nos tempos épicos da pá e da picareta, foi construído o lanço de Vimioso até ao rio, no qual se destacam várias curvas fechadíssimas, algumas das quais suportadas por muros centenários feitos à base de xisto e argamassa, ou ladeadas por arribas de considerável altura, fonte constante de desabamento. Só cerca de meio século depois foi construída a ponte sobre o rio Maçãs e o troço do rio até Carção o qual, mesmo sendo, em termos geológicos menos perigoso, pela orientação geográfica errada como foi instalado no terreno, bastam duas geadas no inverno para se tornar numa autêntica pista de gelo, com todos os perigos e consequências que isso pode potenciar, sendo incontáveis os acidentes que nele já se registaram.
-Finalmente, Sr. Ministro, também lhe damos de barato que, “ Quando acontecem derrocadas pontuais é feita uma reparação tão depressa como é possível”, só que, quanto a isto, não podemos dar-lhe de barato nem de caro duas coisas:
-Porque estamos a milhas do Terreiro do Paço, duvidamos que o seu “ tão depressa como é possível” chegue a Trás-os-Montes antes das calendas gregas;
- Porque estamos desiludidos e descrentes de promessas politicamente corretas e estrategicamente manipuladas, muito sinceramente que para nós, que vivemos em Trás-os-Montes, os vossos “planos” de “monitorização de todas as estradas”, não passam de falácias, e promessas sem qualquer credibilidade e sustentação quando, para nós, o risco eminente de acidentes graves na estrada 218, capazes de atentarem contra a segurança dos nossos bens e dos nossos filhos, esse sim, é uma realidade na e crua.
Depois, se algo de grave acontecer, não inventem desculpas e, com honradez e dignidade, pelo menos, tenham a coragem de reconhecer os erros e assumir as culpas.

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3709