Gala Solidária!...

Sempre fui, e sou, entusiasta da solidariedade. De fazer algo de interesse pelos outros de forma espontânea, criativa e sustentada, sem que ninguém, sobretudo materialmente, retribua nada, para além de um sorriso emergente, digno do boa gente. Um dos maiores prazeres da minha vida e que me ocupa grande parte do meu tempo, é colaborar, ou dinamizar, atividades nesse contexto, em prol do desenvolvimento social, do bem-estar individual e coletivo. Nesta perspetiva, entendo até como fundamental e importante, sorrir para as pessoas e para a vida, tentando criar empatias para resolver problemas e a forma como são encarados. Fazer alguma coisa de útil e não olhar para o vazio, evitar posturas negligentes perante situações onde existe necessidade material, afetiva e o ambiente se torna distante, frio. Neste domínio, sou adepto do potenciar a afetividade que mexa por dentro, que brote à flor pele, que conforte o coração e o peito, que alimente o alento com objetividade e jeito.
Vem isto a propósito da Gala Solidária, levada a efeito pela Delegação de Bragança, da Cruz Vermelha Portuguesa, que teve lugar, no passado sábado, dia 04/11/2017. Tratou-se, sem dúvida alguma, de uma interessante iniciativa, que o novo elenco diretivo, presidido pelo Tenente-coronel, Sá Pires, pretendeu incluir num conjunto de novas dinâmicas interativas de gestão, promovendo a solidariedade e a identidade na e com a instituição, baseada numa positiva e recíproca inclusão, da cidade e da região.
Ora, Ora, como tipo de atividades solidárias, para ser alcançado um objetivo final positivo e compensador, nomeadamente no desenvolvimento do espírito voluntário e afetivo, se devem sustentar numa participação abrangente e transversal, naturalmente que, para o efeito, foi determinante contar com a vontade e disponibilidade de várias pessoas e instituições públicas e privadas.
Como não poderia deixar de ser, em primeiro lugar, foi determinante, a disponibilidade da Câmara Municipal de Bragança, na cedência de utilização do Teatro Municipal. Em segundo lugar, a boa vontade e o espírito de entrega por parte da direção e funcionários deste singular espaço cultural do Nordeste Transmontano – Teatro Municipal, para que tudo decorresse da melhor forma, de acordo com os objetivos pretendidos. Em terceiro lugar e não menos importante, já que se tornou no protagonista do evento, o Conservatório de Música e Dança de Bragança. E, aqui, tenho de reconhecer, como me parece que terá sido reconhecido pelos espetadores presentes, os cerca de uma centena de alunos do Conservatório, acompanhados pelos respetivos professores/orientadores, terão ultrapassado a expetativas, já que a qualidade do “produto” apresentado foi de um nível elevadíssimo. E sem alguém teria dívidas de que, em Bragança, se trabalha com qualidade e afinco no domínio do ensino da música e da dança, estas acabaram, certamente, por ficar dissipadas. É importante reconhecer o mérito às nossas crianças, adolescentes e jovens que, devidamente orientados, conseguem brilhar no campo da música do canto e da dança. Pena é que não se “mostrem” mais vezes.
Se esta Gala outro méritos não tivesse, só o facto de ter dado uma singular oportunidade ao Conservatório de Música e Dança, para poder mostrar o que ali se aprende e consegue realizar, teria sido já um importante objetivo conseguido.
E as instituições devem existir mesmo assim. Com esta disponibilidade e forma de estar, de agir e intervir, social e institucionalmente, sempre. Por isso e não só, quero apresentar os meus parabéns, também aos pais e encarregados de educação, que acabaram por ser, também, elementos de especial relevo para esta iniciativa, não só porque permitiram que os seus filhos/educandos, se incluíssem e partilhassem esta realização solidária, como também eles próprios marcando presença ativa no espetáculo.  
Interessa, também, salientar o papel desempenhado por outras instituições e pessoas anónimas que, altruisticamente, deram o seu desinteressado contributo.
Uma palavra para a dupla de apresentadores, que se apresentaram ao mais alto nível, não só em termos de indumentária, ou não tivessem sido vestidos pela Loja "Charme" em Bragança, e penteado by Tânia Caleja - Hair Stylist,  mas também pela descontração, interação e presença em palco, não ficando a “dever” nada a muitos profissionais do “oficio”, tantas vezes bem pagos para realizarem trabalhos idênticos,  e sem significativas mais valias, no que concerne à qualidade.  Também, nesta área, ficou demonstrado que, em Bragança, existe gente com conhecimento e talento.
Parabéns, pois, à atual direção da Delegação de Bragança, da Cruz Vermelha Portuguesa, não só pelo espírito solidário desenvolvido e pela ousadia do evento, mas também, pela oportunidade de  dar a conhecer talentos da nossa cidade, da nossa região.