A opinião de ...

Os dilemas orçamentais de António Costa e dos professores

António Costa vive os dilemas do último Orçamento de Estado (OE) da legislatura (Novembro de 2015 – Outubro de 2019).
O primeiro dilema resolveu-o facilmente: entre um orçamento não eleitoralista e outro eleitoralista optou facilmente pelo segundo não hostilizando Mário Centeno, o peão que Bruxelas colocou no Eurogrupo para controlar os desvarios orçamentos dos «PIG`s», sigla que engloba Portugal, Irlanda e Grécia.
Este dilema obriga a não marcar golos na baliza do deficit zero. Por isso, a despesa tem de ser controlável e controlada.
O segundo dilema foi entre aumento de salários e garantias de progressão na carreira para os funcionários da Administração Pública. António Costa deu prioridade à progressão parcial na carreira aproveitando para tribalizar os funcionários públicos nos seguintes termos: é possível um aumento salarial distribuindo pelos 700 mil funcionários 50 milhões de euros; discutam se se distribuem pelos mais pobres, pelos pobres e pelos médios (até 800 euros de salário) ou por todos. António Costa, claro, já decidiu: distribui pelos salários até 650 euros elevando-os em 50 euros mensais. É neste grupo que está o maior número de eleitores.
O terceiro dilema foi o mais fácil de resolver graças a uma opinião pública mal informada sobre os professores. Contar-lhes todo o tempo de serviço para progressão na carreira estava fora de questão porque, sendo muitos (150.000), não havia dinheiro para tal. Ainda por cima, os sindicatos entricheiraram-se no «ou tudo ou nada» tornando a solução para António Costa relativamente fácil já que lhe permitiu demonstrar autoridade impondo os dois anos nove meses e 18 dias num total de 9 anos contáveis.
Com esta solução, ficaram 300.000 votos em perigo mas, invocando Mancur Olson, na teoria dos jogos sociais, o mal distribui-se sempre pelos diferentes interesses em arena.
Os professores, via sindicatos, dizem não desarmar. Veremos o que uma classe profissional proletária e desprofissionalizada vai conseguir fazer. O não conseguirem organizar-se em ordem profissional é dramático. O colocarem-se ao serviço de interesses político-sindicais é catastrófico. No fim, fica a verdade, nua e crua: um corpo profissional cujos membros andam de casa às costas todos os anos, em estado de exaustão e de destruição familiar. Ninguém atende a isto?
Os professores auferem, de acordo com o estatuto de 2007, no 1º escalão, líquidos, 750 euros mensais; no 2º escalão, 1.104; no 3º, 1.186; no 4º, 1.242; no 5º, 1.317; no 6º, 1.351; no 7º, 1.472; no 8º, 1.591; no 9º, 1.770; e no 10º, 1.885 euros. Se atendermos a que 60% dos professores ainda não ultrapassaram o 4º escalão, podemos construir facilmente, para esses, uma média de 1.200 euros mensais para um profissional já com 25 anos de serviço, na maior parte dos casos, por causa do congelamento das carreiras.
Valerá a pena pensar nisto e na luta dos professores para que possamos ter melhor escola e melhor educação.

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