A opinião de ...

Inaceitável discriminação

Se o aforismo garante que muitas vezes os últimos são os primeiros em nada advoga o inverso nem mesmo a título de compensação: nada implica que os primeiros passem a últimos. Quando em setembro de 1989 era inaugurado o primeiro troço do IP2, entre o Pocinho e a Ponte do Sabor, ninguém de bom senso (ou até de um senso mediano) poderia imaginar que trinta anos depois, continua por concluir a ligação que, precisamente, atravessa o Vale da Vilariça. E, pelo que é sabido, não está para breve a “resolução do problema ambiental correlacionado com a travessia do Douro”. Não é aceitável tal desleixo, tal insensibilidade, tal abandono por parte das entidades responsáveis deste país. É igualmente incompreensível o silêncio que as autoridades e políticos regionais mantêm sobre este assunto.
Desde a inauguração do IC5 entre Murça e Duas Igrejas temos assistido, e bem, à exigência, contínua e insistente, da sua conclusão até Miranda do Douro. Já sobre a decisão de conclusão da obra inacabada do segundo eixo rodoviário longitudinal do país, caiu, desde há vários anos um inexplicável mutismo, uma inaceitável indiferença! Repare-se que nem a vertiginosa jornada pré-eleitoral do ex-ministro Pedro Marques ensaiou uma qualquer resolução, mostrando bem quão ausente está, no sótão das promessas adiadas!

Mas, quando pensamos que a situação está em níveis tão baixos que já não pode piorar, somos surpreendidos por “soluções” que, a concretizarem-se, viriam a desqualificar muito a pobre conjuntura existente. Notícia recente anunciou que (agora é que é! É desta, não há dúvida!) as Minas de Ferro de Moncorvo, vão, finalmente arrancar. A acompanhar o recorrente anúncio (curiosamente repete-se em anos eleitorais) vem um texto em que é explicada a forma como os inertes sairão do cabeço da Mua.

O transporte rodoviário continua a ser uma opção!! Como é isto possível?? Em artigo publicado recentemente no jornal O Público, o engenheiro António Santiago Batista que conhece bem o setor em geral e, em particular, a exploração mineira de Torre de Moncorvo, estima que o montante mínimo rentável, de minério a ser retirado e comercializado, ascende a dois milhões e meio de toneladas por ano! Ora se a opção de transporte dos inertes for rodoviária significará que, para atingir esse valor, irão circular, diariamente, nos dois sentido, mais de 250 camiões de grande tonelagem!

DUZENTOS E CINQUENTA RUIDOSOS CAMIÕES POR DIA a saírem do Felgar e a passarem, incessantemente, pelo Carvalhal e pela vila, ao lado do Centro de Saúde! Se o fizerem de forma distribuída de dia e noite será uma viatura a cada seis minutos a roncar à porta de inúmeros cidadãos.

(Continua na próxima edição)

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3721