O Pastor e as ovelhas

Gosto de ler textos de opinião. Como gosto que os meus sejam lidos, refletidos e devidamente interpretados. A crítica, desde que fundamentada e construtiva, admito como positiva. É importante sabermos a opinião de outras pessoas, sobretudo quando acrescentam valor à nossa formação e nos conduzem à interiorização reflexiva. É obvio que não devemos ler, simplesmente por ler, mas sim para analisar o respetivo conteúdo e entender a mensagem. Mesmo que seja necessário esmiuçar o texto nas entrelinhas e enquadrar eventuais metáforas. Gosto, até, da escrita metafórica.
Neste contexto, a tendência natural e compreensiva é procurar ler e analisar com mais cuidado e profundidade, artigos escritos por amigos, conhecidos, ou pessoas com as quais mais nos identificamos, desde que sejam bem estruturados e devidamente sustentados. A diversidade de opiniões e assuntos alarga a visão do pensamento e melhora qualquer fundamento.
Vem isto a propósito de mais um texto de opinião que o meu amigo, Padre Fernando Calado Rodrigues, publicou, na passada segunda-feira, no JN – Jornal de Notícias, onde escreve semanalmente.
Por várias razões, mas, sobretudo, porque me identifico, muitas vezes, com o respetivo pensamento e analise dos temas que aborda, não quero deixar de felicitar, neste espaço, o Padre Fernando Calado Rodrigues, também ele uma referência do Mensageiro de Bragança, pelo seu texto: O desafio do Papa aos bispos.
Evocando o Papa Francisco e recorrendo a uma linguagem metafórica, sempre bem presente nos temas religiosos, o Padre Fernando Calado Rodrigues, fala dos rebanhos, das ovelhas e dos pastores.
Na verdade, oriundo do meio rural sempre me habituei a olhar para os pastores, como alguém que conhece, cuida, protege e se preocupa com o bem-estar das suas ovelhas. Além de saber o nome, de as identificar genealógica e socialmente, um BOM pastor desce ao curral, ou às cancelas, misturando-se e interagindo com as suas ovelhas de forma simples e franca, alimentando-as e delas cuidando. Ora todo este processo relacional, suscita afeto especial, contacto real, com o ambiente e o local, o que implica a osmose do odor. Assim, para lá do cajado e do farnel da merenda ao ombro (serrão, como lhe chamavam na minha aldeia), o pastor identificava-se pelo cheiro das suas ovelhas. Inconfundível. Também por isso, as ovelhas nunca confundem o seu pastor. Identificam-no e acarinham-no, porque lhe dá atenção. Porque merece, uma vez que olham para o pastor como um genuíno MISSIONÀRIO que está atento, VIGIA, ajuda e conduz para as melhores pastagens.
Esta linguagem do Pastor e das Ovelhas, quando enquadrada no contexto religioso, deve merecer, nos tempos que correm, uma profunda reflexão. Por isso, não quero, também eu, deixar de citar o Papa Francisco quando refere que vigiar "significa envolver-se na vida do rebanho: Jesus distingue bem o verdadeiro pastor do empregado, daquele que recebe um salário e não se importa se o lobo vem e come uma ovelha: ele não se importa. Pelo contrário, o verdadeiro pastor que vigia, que está envolvido na vida do rebanho, defende não só todas [as ovelhas], defende cada uma, confirma cada uma e se uma vai embora ou se perde, ele vai atrás para trazê-la de volta. Está tão envolvido que não deixa que nenhuma se perca".
Para terminar, além de aconselhar a leitura do texto do Padre Calado, não posso deixar de salientar o quanto é importante dar atenção a uma ovelha do seu rebanho, quando esta tem a infelicidade de ficar presa numa simples silva, ou encarcerada numa jaula.