Para que servem os diáconos?

O clero da Diocese de Bragança-Miranda passa a ter mais cinco diáconos permanentes, ordenados no último domingo na solenidade do Cristo Rei. Todos casados, veem assim reforçado o seu dever de servir as comunidades.
O diaconado foi instituído pelos apóstolos devido a uma necessidade da Igreja nascente a que era preciso acudir: o serviço aos mais pobres. Como os apóstolos não conseguiam acorrer a todos e deviam dedicar-se prioritariamente à pregação da Palavra, a comunidade dos cristãos decidiu confiar essa tarefa aos diáconos.
Até ao século V, o diaconado manteve-se com essa preocupação de cuidar dos mais pobres e de administrar os bens da Igreja. Entretanto, foi-se reduzindo a uma função litúrgica e a um estado de passagem para os que iriam ser ordenados sacerdotes.
Nos anos 60 do século XX o Concílio Vaticano II decidiu restaurar o diaconado “como grau próprio e permanente da Hierarquia”, conforme o nº 29 da Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja. As suas funções são definidas: “Administrar solenemente o Batismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimónio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da sepultura”. Neste texto do Concílio ainda se sublinham as funções litúrgicas em detrimento da essência desta ordem: o serviço. Na verdade, diaconia em grego significa “serviço”.
Há uma semana foi apresentado em Madrid o livro de Javier Villalba “Diaconado Permanente. Signos de una Iglesia Servidora”. Nessa apresentação o cardeal de Madrid, Carlos Osoro, sublinhou que, “na Igreja, ou somos servidores ou somos comediantes” – isto é, fazemos teatro.
Se toda a função na Igreja não deve ser assumida como promoção, por maioria de razão o diaconado não o deverá ser, sobretudo quando é assumido de forma permanente. Aqueles que viveram o diaconado de forma passageira, também não estão dispensados de continuarem a aprofundar – mesmo depois de assumirem outro estado clerical – essa atitude própria do diaconado que é a da atenção ao outro.
Todos os membros da Igreja, mesmo os que não receberam qualquer grau do sacramento da ordem, deverão desenvolver essa capacidade de continuamente se colocarem ao serviço do outro. Os diáconos devem ser o sinal mais eloquente dessa opção preferencial da Igreja pelos mais pobres e pelos mais pequenos. Como nos recordava o Evangelho do domingo passado, são estes o rosto de Cristo: “Em verdade vos digo: sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt. 25, 40).
Que os diáconos que agora foram ordenados saibam ser fiéis a essa missão e nunca se deixem reduzir a uma função meramente decorativa, ao lado dos outros ministros ordenados. E que não se conformem a ser supletivos destes a calcorrear montes e vales para desfiar celebrações da Palavra. A sua verdadeira missão é muito mais importante que isso.