A opinião de ...

Ambão (1)

O lugar, donde se fazem as leituras da Palavra de Deus na assembleia litúrgica, recebe o nome de ambão. Termo que significa um lugar aonde se sobe. Não é difícil pensar neste movimento ascendente ao qual a palavra ambão alude quando olhamos para os antigos púlpitos das nossas igrejas. Alguns artisticamente bem construídos, belos. 
Por exemplo, em Mós de Moncorvo, é um cálice em granito, simples e nobre. Porém, os púlpitos na sua generalidade, depois da reforma litúrgica do Vaticano II, foram simplesmente ignorados ou até desmantelados. Serviram para as pregações, mas, provavelmente devido à sua colocação que não permite o leitor ser visto por toda a assembleia, foram preteridos para a proclamação da Palavra de Deus. 
Há uns anos a esta parte, no santuário da Senhora da Serra o púlpito foi oportunamente recuperado na celebração litúrgica, dado certamente as condições específicas da assembleia celebrante daquele santuário. Em muitas das nossas igrejas não dava para fazer o mesmo, porém deu e dá para fazer cada vez menos dos ambões simples estantes. O ambão é um lugar aonde se sobe e de lá se lê uma Palavra que ergue, uma Palavra que nos torna conscientes da dignidade com que fomos revestidos.
A atitude do leitor que sobe para ler diz muito da função do ambão. Daquele lugar elevado se lê e proclama uma Palavra que reergue não só quem a proclama mas também quem a escuta.  A ambos é restituída a postura dos ressuscitados, levantados pela Palavra da vida.
Recentemente, ainda que nem todos estejam de acordo, há uma tendência para relacionar o ambão com o túmulo vazio (ainda que cheio de sinais) da manhã de Páscoa. Agrada-me muito esta associação. Vem antes de mais da identificação do leitor que proclama a Palavra com o anjo da manhã daquele Domingo que faz nascer o dia com o anúncio da Ressurreição do Senhor e com a proclamação do Evangelho da vida. O ambão de Pombares quer dizer artisticamente, como outros o fazem, estes dois aspetos: um lugar aonde se sobe pisando a pedra partida do túmulo, um lugar que aponta para o túmulo vazio e aberto, sinal da vitória de Cristo sobre a morte.

Edição
3701