Prevenção dos fogos: Da parte para o todo

Começo por considerar que todos os esforços feitos a nível mundial, europeu, nacional ou local para diminuir os fogos e as suas consequências são bem-vindos. Estimo muito e tenho o maior apreço pelas opiniões dos especialistas dos mais diversos sectores e atividades, em particular dos que desempenham a sua atividade associada à floresta. Também acredito que as opiniões das pessoas que não são especialistas, nem na prevenção dos fogos nem no seu combate, podem ter opiniões válidas neste domínio. É na qualidade de pessoa que aprecia a natureza e tem um carinho especial pela floresta e pelas pessoas que a protegem ou nela trabalham que manifesto esta opinião.
Como diz o povo vale mais prevenir do que remediar. É na prevenção dos incêndios que foco esta reflexão. É fácil criticar depois das catástrofes acontecerem, ficando-se com a sensação que é uma luta de todos contra todos, no entanto, parece-me muito mais construtivo e útil que cada pessoa ou cada responsável, assuma no palco mediático em que os incêndios se tornaram, as opções tomadas no sentido de serem identificados os pontos fortes e os pontos fracos, proporcionando a identificação dos aspetos positivos para mais facilmente se poderem evitar catástrofes análogas no futuro.
Não tendo como objetivo criticar, limito-me a apresentar algumas ideias que no caso de serem implementadas, estou convicto que com muito menos despesa do que a realizada em 2017, poderiam trazer resultados positivos na diminuição dos incêndios no futuro e aumentar o emprego no domínio da floresta e dos serviços afins.
Sugiro que se comece por cuidar da floresta na própria floresta, com as pessoas que a conhecem, que dela tratam ou dela vivem e querem continuar a viver. É fundamental uma política de proximidade para a floresta. Numa perspetiva de coerência entre as partes e o todo nacional, com um Estado a supervisionar e a legislar, no sentido de fomentar linhas orientadoras, apoiar e garantir que as mentes mais perversas não impeçam, a troco de nada, o bem comum, onde está o problema se cada agricultor, cada freguesia, cada concelho ou cada distrito definir as suas unidades florestais, adequadas, em espécies e dimensões, à sua situação geográfica.
Distinguir zonas com árvores daquelas que só têm arbustos, separar cada uma das unidades com aceiros de dimensões adequadas, onde os bombeiros possam transitar e operar os seus meios de combate aos incêndios com rapidez e segurança, pois atualmente é difícil encontrar floresta com aceiros nos quais os bombeiros possam atuar com alguma segurança.
Após definidas as unidades florestais é obrigatório cuidar delas da forma que seja mais adequada a cada situação. Deve ser defendida uma cultura tendente a preservar a biodiversidade, pensando que daí resultam muitos benefícios não só para a natureza como também para os agricultores, nomeadamente na produção de frutos silvestres, mel e cogumelos.
Por outro lado, num país com tanto desemprego e com tantos recursos tecnológicos, máquinas agrícolas e florestais, adequados ao tratamento da floresta, porquê não aumentar as empresas de sapadores florestais para poderem cobrir com eficiência o todo nacional. Quando o proprietário não tratar da sua floresta que existam mecanismos para que a floresta seja tratada. É necessário criar uma espécie de plano nacional de saúde para a floresta. Assim, se cada proprietário, público ou privado, cuidar da sua floresta, através de meios públicos ou privados, os fogos terão uma dimensão muito mais reduzida e os bombeiros poderão passar a ter mais um papel de prevenção do que de guerra aberta com a floresta, com as populações e com a sua própria vida.