A opinião de ...

Na Senda de…

Conheço, de coração, esta Trilogia, a Fé trilhou as pedras e poeiras, sentem-se no ar as preces de quem procurou o conforto da alma e do corpo pois que lá no fim, após sofrido esforço, as preces lacrimosas de quem teme, tocarão fundo no que perto está do Senhor, do Criador, do Omni.
Um dos lugares que vos conto ondula a caminho do Sabor, os montes e vales, possuídos de secura ancestral, oferecem-nos, em dádiva, um verde único, invejável, oscila nas inesquecíveis cores prediletas de Van Gogh, do castanho ao verde, de meão amarelo, ofuscante e hipnotizador.
Quando aqui cheguei, vindo das profundezas de mim, levitando na procura, encontrei o tempo, calmo e abraçador, refugio e libertação, um potentado contemplativo. Para além de local de chegada, a partida, já revigorado, apetecia. O mistério do encanto, quarenta anos depois, explica-se.
Não com certezas mas carregado de intuição, fui em demanda, a curtas léguas, de sítio bafejado por igual destino, pingado com água-benta do mesmo caldeiro. E lá estava a marca de que botas e gastas solas por aqui calcorrearam, os pés doridos e martirizados provariam a Fé, motora da gigante empreitada. Uma surda, muda pelo fado, bafejada por milagre, gritou aos quatro ventos o pedido da Santa, uma Capela similar à derrubada em Jerusalém.
Diz quem sabe, que os ocultos caboclos, da originária, provém dos lendários tempos medievais.
Mais acima, no planalto da Meseta Ibérica, encruzilhada da História, mistura de poeiras de raças e credos, de Moncorvo a Astorga, vindo de Fermoselho até Via da Prata, encantadora povoação foi sempre berço acolhedor de caminheiros sedentos de amparo.
Sabe-se que um tentacular itinerário, com sistema completo, principal, secundário e capilar, enxameia a Europa e, como evidente, Portugal. Dizem as Sagradas Escrituras, Epístolas, que um dos seguidores do Messias, Santiago Zebedeu, foi evangelizar para o norte de Espanha e por ali faleceu. Os restos mortais deste Santiago Maior, foram encontrados, os historiadores nunca chegaram a acordo, em terras hoje conhecidas como Compostela. O poder de proximidade com Jesus de Nazaré fez nascer nos céus, à sua morte, uma Via Láctea anunciadora do caminho que se deve seguir até ao Sagrado Relicário, até ao Bendito Sepulcro, distribuidor de Graças. Ao seguir esse caminho das estrelas teremos a certeza que estamos num Chão de Santiago, num abençoado Caminho de Santiago.
Ali para o Nordeste, de braço dado com a Beira Alta, fascina-me um itinerário, de Castelo Rodrigo ao Caminho da Prata, utilizando estradões principais, secundários e capilares.
Pena minha que as edilidades envolvidas não façam renascer a Barca de Santo Antão da Barca para atravessar o agora Majestático Lago Maior da Barragem do Baixo Sabor, montante, e atirem para o futuro esse extasiante Santuário de Santo Antão. Entre esses caminhos, a trilogia enigmática, o da Ribeira, o da Serra e o de Miranda, todos Sendim, todos Na Senda de…

Edição
3723