A opinião de ...

Xeque–Mate…

Com a exigência do Resgate, implorado pela direita portuguesa, conluiada com a esquerda anti–poder, que fizeram cair o Governo Sócrates, Portugal atravessou um dos mais desiguais períodos da sua História tendo como Timoneiro o Passos da Tecnoforma e como Visionário (depois de acontecer) o infalível Cavaco.
A onda tsunâmica que se alevantou atirou para o desemprego mais de quinhentos mil cidadãos, todos do Sector Privado, pois que do Publico, protegidos por chapéu de legalidade escabrosa, aguentaram-se na Crista da Onda enquanto na Cava estrebucharam os do costume.
Acredito que o stress pós-traumático gerado no ventre de milhares de famílias está a encher os consultórios de especialistas, em crescendo, até ao passar das gerações sacrificadas. Pesquisando os Despedimentos Colectivos ativados na era Gaspar/Maria Luís Albuquerque fácil intuir o número quantificador dos novos desempregados entre os quarenta e cinquenta anos que nunca mais encontraram emprego. Com Fundo de Desemprego em média de três anos, naquela altura, imaginamos o corte hediondo nas miseras pensões usufruídas. Tentar inferir a travessia dos infernos e as dores suportadas destas gentes anónimas e quietas, é descer aos sítios onde moram os medos negros, os que abafam.
Dos que continuaram a vida, a vida possível, quase todos sofreram os malfadados cortes, Publico e Privado, sentindo na pele o que outras peles deveriam ter suportado. Já em marcha a dita Geringonça, sentindo-se no bufar do esquisito motor, novos pistões de poder, aquela esquerda que sempre se arredara, foi aliviada a compressão mas, talvez por combustível deteriorado, a desigualdade voltou a cavar, o Publico carregou de novo as costas do Privado.
Um dos pistões desta vanguardista motorização foi construído em oficina ancestral com ferramentas próprias, a foice e o martelo. O laboratório gerador desta melindrosa engrenagem tem nome de Abril, Sindicato CGTP. Colaboradores experientes, dos melhores, descobriram combustível de força, com aditivo explosivo eterno, os Funcionários Públicos em toda a sua extensão.
Porque o prazo de garantia da Geringonça se aproxima da data limite, há que trocar o motor. Um dos pistões já disse que está pronto e, desta vez, quer aceder ao volante. O outro, o tal das ferramentas, vai falando tipo Oráculo, linguagem ambígua, com dupla interpretação. Entretanto manda avançar as tropas, à líder. Já se posicionaram os cavalos, os bispos e respetivos peões. Nas ruas, ensurdecendo, barafustam os privilegiados Públicos, exigindo o acordo dos seus quereres. Aos comandos, pressionando, na prova de vida, no suga votos, o pistão CGTP, abre caminho ao populismo extremo, empurrado pelos ventos de além fronteiras. Ao invés da era Passos, em que os medos assustavam os medos, as esquerdas afrouxam potenciando o reivindicar Corporativo, agigantando as desigualdades. Na próxima legislatura, pelo que se vê, o Rei Costa corre perigo de encurralar, pois que este Pistão, manhoso, já o fez, aliando-se à direita, tentará Xeque–Mate…

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3706