Armando Fernandes

 

 

A linguagem corporal

Lembro-me de por altura das festas em honra da Senhora das Graças acudirem a Bragança na esperança de arrecadarem bastantes moedas, as notas eram escassas para a maioria da população, homens, mulheres e crianças exibindo os seus aleijões e outras disformidades.


A revolução tecnológica

Escrevo a crónica, às vezes, apressado envio-a desprovida de poda e, nada a fazer, a Internet num ápice levou-a ao destinatário. Lembram-se? Do tempo gasto a garatujarmos cartas, a colocar as folhas dentro do sobrescrito, a passar os lábios na parte gomada, a fechá-lo batendo fortemente o punho de modo a não enfolar ou deixar uma das pontas menos colada, a irmos aos correios, aguardar na fila, pedir o selo a fim de posteriormente o salivar de maneira a ficar bem fixado, finalizando a tarefa ao meter o envelope no marco.


Manuel Ferreira

Eu não sei se os leitores já leram O Livro das Cidades, do notável escritor cubano Cabrera Infante, o qual pagou duramente ter enfrentado e criticado acidulamente o ditador Fidel Castro. Aquele que gosta de pensar a cidade ganha lendo a estrídula obra do autor de Três Tristes Tigres. Nas minhas vindas a Bragança gosto de perguntar coisas e loisas sobre a amada cidade, sempre, embora nutra afeição e estima por Santarém, Barcelona e Boston. Porém, Bragança é Bragança, sempre.