Ricardo Mota

Rua do Cabecinho…

A praceta tem o nome de uma das ruas que nela desembocam. Nos fins de tarde, nas tardes dos Agostos de inferno, abrasadores e sufocantes, por aqui não vive ninguém, nem o zurzir das moscas se escutam. Os paralelos, granitos da região, aquecidos ao rubro, ajudam à festa, neste sítio grelham-se as mentes e as almas. As portas e janelas que se debruçam para este pátio há muito que deixaram de ter companhia, os ferrolhos, as dobradiças, as velhas fechaduras morrem de saudade de quem lhes dava o uso.


Sócrates, Me Confesso…

Sábado, três da tarde, sol ameno. A árvore, ali mesmo defronte, abana-se ao mais leve sopro do vento que a acaricia. Já la vão uns vinte anos, meu sogro, Sr. Arnaldo, austero, a graciosidade de quem vai oferecer, arrancou uma franzina oliveira, podou-a com a ligeireza de quem sabe e disse: tome, leve-a para a Charneca da Caparica. E aqui está, risonha e companheira, sempre presente. A sombra que nos empresta, a todos que a procuram quando o calor desce e nos quer sufocar, é petisco de verão, sirvo-a juntamente com bebidas e outros mimos que arregalam a vista e descansam o estômago.