Ricardo Mota

Eu sei de um País…

Eu sei de um país onde impera a frustração. Só de saber que por aqui foi dado aconchego a quem trafica a força humana, física e intelectual, e que com esse negócio afasta o futuro a muitos jovens e desumaniza os do meio-da-vida, impele-me ao grito. Leio, ouço e sei que os ditos gigantes transnacionais contratam via outsourcings, com privados e com o meu Governo.


Um Querer…

Difícil contar esta história. Não sei por onde começar pois o inverosímil mora por aqui. Como pode ter sido possível nunca ter ouvido falar desta aldeia ou, pior ainda, nunca ter visto placa alguma designando esta povoação. Ninguém acreditará quando relatar o que meus olhos viram. Recebi um mail de alguém que dizia ter sido meu colega de primária há cerca de sessenta anos, que há muito vive nesta aldeia transmontana e, por mero acaso, soube das minhas vivências e adoração por Trás-os-Montes, que para estas paragens me desloco vezes sem conta.


Em Homenagem ao Padre Ochoa

Os pulmões e a alma revigoram-se nestas bandas. O sítio tem nome de infância, Cerejais. Daqui enxergam-se terras de Moncorvo, para lá do vale do Sabor. Em dias de Primavera orgulho-me de viver nestas terras, tal o privilégio no alcance da vista: urzes, giestas, arçãs, lírios do campo, estevas e um céu imenso. A vastidão do horizonte extasia os viajantes que por aqui vagueiam. São muitos os caminheiros que se aventuram por estes lados pois que são devotos do Santuário Mariano.