Adriano Moreira

PRIMEIRO AS VÍTIMAS

O desastre que marcará este ano de 2017 na história portuguesa em páginas de luto, verifica-se, para aprofundar a gravidade, no ano em que se tornou frequente indagar se a União Europeia perderá viabilidade, uma questão que, para a tornar menos inquietante no que respeita às sociedades civis, pode ser atribuída a pessimismos de respeitados analistas, como Montbrial.


TANCOS

Há motivos, pelo ritmo dos eventos que atingem a confiança dos cidadãos, para assumir que a estrutura do Estado tem debilidades que não resultam do sistema jurídico-constitucional, mas não podem deixar de atribuir-se pelo menos a dois fatores de importância: a exiguidade a que foi conduzido pela falta de equação entre as suas responsabilidades e os seus recursos, situação a que o rigor das regras europeias não é alheio; a frequência com que as chefias da administração pública mudam ao ritmo da mudança dos partidos que assumem o governo, enfraquecendo a experiência do aparelho, e a autoridad


O PAPA FRANCISCO

Tenho insistido num facto, que me parece ter merecido pouca atenção, e que se traduz em, por cinco vezes, o Papa, então em exercício, ter sido convidado para se dirigir à Assembleia Geral da ONU, o que não aconteceu, que pelo menos tenha notado, com qualquer outro líder religioso.


A evolução da desordem

Já foi dito que o mundo está ameaçado ao mesmo tempo pela ordem e pela desordem, parecendo significar que nem a ordem normativa internacional global é obedecida, até pelos membros do Conselho de Segurança da ONU; nem pelos que, considerando-se apenas parcialmente libertados pela descolonização do fim da segunda guerra mundial, encontram na violência, agravada pela capacidade que a tecnologia forneceu de o fraco vencer o forte, o caminha da não obediência às leis vigentes, alguns procurando obter outras leis, outros aparentemente considerando satisfatória uma anarquia enquanto dure.


UM DESASTRE GLOBAL

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve espíritos suficientemente alertados para a necessidade de organizar uma ordem que não permitisse a repetição das catástrofes que por duas vezes, na mesma geração, atingiram a totalidade do globo. As circunstâncias que estamos a viver lembram não apenas a necessidade de reler os projetistas da paz, muitos sem experiência de governo, mas bons observadores dos factos, outros envolvidos nos conflitos como foi o caso de Goethe na batalha de Valmy, sendo mais impressionantes os que participaram na governação obrigada aos combates.


PRESERVAR AS INSTITUIÇÕES

Começarei este texto, na época da celebração de uma instituição secular, que exige atenção de quem ainda tenha nascido e criado num ambiente europeu de amor ao seu País e ao seu Povo, e guardado a veneração por conceitos como Pátria, Nação, Fronteiras sagradas, Heróis, Descobridores, como o Clube Militar Naval, e que, quando descurados, ganham debilidade como elos seguros da história legada aos vivos, e guardando a veneração aos mortos, porque a comunidade é de homens e instituições, lembrando um comentário da obra de Roger Crowley, intitulada Conquistadores (2015).