José Mário Leite

Os hospitais não são centros de saúde

Aos hospitais acorre quem está doente e, como tal, seria mais acertado chamar-lhe Centros de Doenças e não Centros de Saúde. É para as suas salas de espera que convergem a esmagadora maioria da população quando está enferma, trazendo consigo todo o tipo de moléstias e, com elas, grande variedade e quantidade de agentes patogénicos. É também ali que se aplicam, em maiores doses, nem sempre proporcionais e nas quantidades mínimas exigíveis, os mais diversos antibióticos.


Em Saúde, o tamanho... não é medida

Segundo Kristin-Anne Rutter é um erro grave tentar medir a qualidade dos serviços de saúde pelo tamanho dos hospitais ou sequer pelo número de camas disponíveis. No último século a esperança média de vida, quase duplicou e ainda há, tudo o indica, margem de crescimento. Se à longevidade se somarem os recentes e constantes avanços científicos, que têm vindo, paulatinamente, a transformar doenças agudas e fatais, em doenças crónicas e tratáveis, facilmente se percebe o porquê do grande acréscimo contínuo nas despesas de saúde.


Inaceitável discriminação

Se o aforismo garante que muitas vezes os últimos são os primeiros em nada advoga o inverso nem mesmo a título de compensação: nada implica que os primeiros passem a últimos. Quando em setembro de 1989 era inaugurado o primeiro troço do IP2, entre o Pocinho e a Ponte do Sabor, ninguém de bom senso (ou até de um senso mediano) poderia imaginar que trinta anos depois, continua por concluir a ligação que, precisamente, atravessa o Vale da Vilariça. E, pelo que é sabido, não está para breve a “resolução do problema ambiental correlacionado com a travessia do Douro”.


Da ética

A percentagem que os partidos anti-sistema irão alcançar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu é, provavelmente, a maior incógnita e, igualmente, uma das maiores preocupações dos partidos tradicionais. São várias as bandeiras empunhadas por estas novas formações que se situam nas margens extremas da política convencional, tipicamente à direita, mas também à esquerda.


Verso e Reverso

Os direitos de todos os moradores do prédio azul seguramente contemplam a possibilidade de achar que o seu vizinho é um ser detestável porque estaciona sempre o carro com a traseira a ocupar parte da saída da garagem comum, obrigando-os a manobras adicionais, logo de manhã, quando o tempo é sempre demasiado curto para as demoras do trânsito da A5. Igualmente não lhes deverá ser negado o direito de reclamar e de comentar com toda a vizinhança o tipo de ser abominável com quem partilhamos o bairro.


PROPINAS (POUCO) DEMOCRÁTICAS

Não é roubando-lhe algumas das suas bandeiras que se combate o populismo. Pelo contrário, enveredando pelos mesmos caminhos, apenas se confere legitimidade aos respetivos estandartes que, sem qualquer surpresa, a extrema-direita usa e maneja com superior mestria pois foi ali que foram concebidos e promovidos. É conhecida a tentação dos políticos para aderir a medidas populares (Espelho, espelho meu, há alguém mais empenhado no bem-estar de todos do que eu?) sobretudo em períodos eleitorais. Ora esse é um ponto de especial relevância.


Ano Novo, Vida Nova

Antes de terminar o ano findo, Portugal foi o convidado de honra da Feira do Livro de Guadalajara, cujo programa foi para lá da apresentação de livros e escritores. Estiveram igualmente músicos, atores e cientistas. A investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência, Paula Duque foi uma das convidadas. Levou-a ao México a exposição do trabalho que tem vindo a realizar e em que se especializou: o estudo das estratégias desenvolvidas pelas plantas para sentir e responder as condições adversas do meio que as rodeia.