José Mário Leite

SEM QUALQUER RAZÃO DE QUEIXA

Numa rua estreita, íngreme, de sentido único e com os passeios em socalcos, fazendo-me lembrar a rua Serpa Pinto, em Bragança, subindo para o Castelo, há um pequeno restaurante que dá pelo nome Osteria da Dré. A maioria dos restaurantes de Arona ficam na baixa da vila, mesmo ao lado do Lago Magiore. Apesar da chuva de verão, miudinha e teimosa, estavam completamente cheios, não só no tradicionalmente exíguo espaço interior como igualmente nas esplanadas devidamente protegidas por guarda-sóis e pérgolas.


O TEXTO E O CONTEXTO

Ricardo Araújo Pereira fez uma excelente rábula acerca do alarido que se gerou à volta de uma notícia trazida à praça pública, salvo erro, pelo Jornal O Público sobre uns Blocos de Atividades editados pela Porto Editora e que seriam discriminatórios. Insurge-se o humorista e bem pelo facto de que a suposta análise do autor da notícia e de todas as restantes notícias e indignações se basearem em apenas duas páginas em que, reconhecidamente, um exercício para meninos seria de dificuldade superior ao equivalente no Bloco destinado às meninas.


DEMOCRACIA, DEMOCRACIA

Os principais concorrentes à Câmara de Oeiras, a fazer fé nos analistas melhor informados serão Paulo Vistas e Isaltino de Morais. O juizo pessoal que tenho sobre cada um deles é irrelevante. Institucionalmente tive com ambos, na sua qualidade de Presidente de Câmara, um relacionamento sem qualquer reparo. Não sendo eleitor em Oeiras, o resultado da disputa de 1 de outubro é-me, praticamente, indiferente. Contudo o processo em si não. Enquanto cidadão fico perplexo com a notícia da recusa da lista do Movimento Independente, Inovar Oeiras de Volta encabeçado pelo ex-presidente de Câmara.


OS ABUTRES E OS FALCÕES

Voam alto e em círculos. Podem, ao longe, ser confundidos com falcões. Não são. Os falcões são animais nobres que recusam a necrofagia. Ao contrário dos abutres que quando aparecem a pairar, são indicadores de mau presságio. “Há morte por aí. Já anda um abutre às voltas lá em cima”. Atrás desse vem outro. Outros mais se lhes juntam em voo cada vez mais apertado e mais próximo do solo. Num ápice,  aos saltos, entreolhando-se, vigiando-se mutuamente, espreitam a melhor altura para cravar as garras e rasgar as carnes mortas e inanimadas com o forte bico adunco.


Janelas

De repente, sem mais, só porque lhe apetece, certo dia um brigantino sai da Sá Carneiro, passa pela Praça Cavaleiro Ferreira, saúda o carteiro imortalizado no bronze ao cimo da rua Cinco de Outubro, desce a Almirante Reis, passa ao lado do Solar Bragançano, acena a uns amigos sentados na esplanada do Flórida, contorna o Cruzeiro, evita algumas beatas que se esgueiram para dentro da Sé, caminha confiante para o Chave d’Ouro e pára de repente, mesmo em frente à sua fachada arredondada, e verifica que ao lado da porta que dá para a rua Direita, está agora uma janela saliente com portadas de ma