Adriano Moreira

CASA DE TRÁS-OS-MONTES

Na minha juventude, Lisboa tinha uma série de associações regionais, cada uma identificando a comunidade da origem, o que levou o ilustre Augusto de Castro, diplomata e durante muitos anos Diretor do Diário de Notícias, a afirmar que este capital era feito por subscrição nacional de imigrantes. De facto também nesse começo do século XX, os Bairros tinham uma identidade forte, até que a evolução do urbanismo, como em toda a Europa, os fizesse diminuir de importância perante a unidade crescente da cidade.

A ESPERANÇA VIOLADA

O mundo em que vivemos tem sido frequentemente qualificado como “um mundo de desigualdades”, com diferentes perspetivas de analistas numerosos, que multiplicam as áreas em que convergem na mesma conclusão.

PRIMEIRO AS VÍTIMAS

O desastre que marcará este ano de 2017 na história portuguesa em páginas de luto, verifica-se, para aprofundar a gravidade, no ano em que se tornou frequente indagar se a União Europeia perderá viabilidade, uma questão que, para a tornar menos inquietante no que respeita às sociedades civis, pode ser atribuída a pessimismos de respeitados analistas, como Montbrial.

RESPONSABILIDADE POLÍTICA

Portugal, não obstante as dificuldades económicas e financeiras que tem enfrentado com sacrifícios económicos e civismo exemplar, conseguiu manter na comunidade internacional uma imagem de país confiável, tranquilo, acolhedor, e seguro.

TANCOS

Há motivos, pelo ritmo dos eventos que atingem a confiança dos cidadãos, para assumir que a estrutura do Estado tem debilidades que não resultam do sistema jurídico-constitucional, mas não podem deixar de atribuir-se pelo menos a dois fatores de importância: a exiguidade a que foi conduzido pela falta de equação entre as suas responsabilidades e os seus recursos, situação a que o rigor das regras europeias não é alheio; a frequência com que as chefias da administração pública mudam ao ritmo da mudança dos partidos que assumem o governo, enfraquecendo a experiência do aparelho, e a autoridad

O PAPA FRANCISCO

Tenho insistido num facto, que me parece ter merecido pouca atenção, e que se traduz em, por cinco vezes, o Papa, então em exercício, ter sido convidado para se dirigir à Assembleia Geral da ONU, o que não aconteceu, que pelo menos tenha notado, com qualquer outro líder religioso.

A evolução da desordem

Já foi dito que o mundo está ameaçado ao mesmo tempo pela ordem e pela desordem, parecendo significar que nem a ordem normativa internacional global é obedecida, até pelos membros do Conselho de Segurança da ONU; nem pelos que, considerando-se apenas parcialmente libertados pela descolonização do fim da segunda guerra mundial, encontram na violência, agravada pela capacidade que a tecnologia forneceu de o fraco vencer o forte, o caminha da não obediência às leis vigentes, alguns procurando obter outras leis, outros aparentemente considerando satisfatória uma anarquia enquanto dure.

UM DESASTRE GLOBAL

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve espíritos suficientemente alertados para a necessidade de organizar uma ordem que não permitisse a repetição das catástrofes que por duas vezes, na mesma geração, atingiram a totalidade do globo. As circunstâncias que estamos a viver lembram não apenas a necessidade de reler os projetistas da paz, muitos sem experiência de governo, mas bons observadores dos factos, outros envolvidos nos conflitos como foi o caso de Goethe na batalha de Valmy, sendo mais impressionantes os que participaram na governação obrigada aos combates.