Armando Fernandes

 

 

O guito

Desculpem os leitores ter recorrido a um calão para pronunciar dinheiro, segundo alguns a mola real (e republicana) que faz abrir todas as portas, olear todas as fechaduras, remover todas as dificuldades, comprar…quase todas as consciências. Há anos andei empenhado na justificação de um projecto relativo ao dinheiro e ao jogo, por esse motivo obriguei-me a leituras ásperas, de modo a justificar a criação do Museu.

Natal

Artistas de todas condições e credos têm na Natividade tema fecundo a gerar obras de inúmeros recortes e sentidos, seja no âmbito das artes plásticas, seja no campo das literaturas, seja ainda (e de que maneira!) no tocante à nona arte, a gastronomia.

A ilusão desiludida

Eu sabia quão nítida e riscante era a realidade, no entanto, sabia-me bem, dava-me aprazimento vogar na ilusão sempre que podia. Não era um nefelibata, era um ilusionista de um só único espectador, eu, qual suicida entusiasta (ainda não tinha lido o livro) por ganhar momentos de felicidade. Um de tais suplementos nutricionais da ânima era o de namorar sem a namorada o saber. Tal e qual!

Elegia da castanha

Eu não sei compor elegias. Sei que são composições poéticas onde prevalece o som musical da tristeza, da melancolia, onde sobressai o tom lamentoso de algo que se perdeu, que nunca mais volta.

Igualdade/Desigualdade

Há semanas uma Senhora Presidente da Comissão para a igualdade do género ofendeu-me ao exigir a retirada de um livro pintado a azul e outro a cor-de-rosa. No seu abstruso entender a diferenciação colorida ofendia a «igualdade», logo tinha de ser banido. E foi. A Porto Editora encolheu-se, grande fornecedora de manuais escolares cedeu porque a força do negócio tem muita força. Muita.

A origem da tragédia

1.Não, não vou escrever sobre a tragédia de Nietzsche, vou tecer considerações relativamente à última tragédia dos incêndios disseminada por vários sítios de Portugal, tão pequeno em área, tão grande em sofrimento porque amplas áreas florestais e núcleos populacionais no tocante à preservação e prevenção aos costumes dizem nada. As calamidades sucedem-se, acentuam-se quando os infortúnios climatérios persistem quebrando o conceito da sazonalidade.

O furacão Costa

Há taleigo de anos no decurso de uma campanha eleitoral autárquica, um burro venceu um Ferrari na subida da calçada de Carriche. O autor da ideia do jumento competir com o cavalo rompante de Modena chama-se António Costa. Os mais atentos a biografias sabem quais os seus começos de formação política desde tenra idade, do aperfeiçoamento ideológico debaixo da batuta de Jorge Sampaio e acolitamento de Nuno Brederode Santos, César Oliveira e outros no decurso de demoradas conversas num snack-bar do edifício Franjinhas.

Vinho de Missa

Os andaluzes são conhecidos por serem desmesurados na autoestima e exagero nos elogios a si próprios. Muito boa gente afiança não serem só os andaluzes, sim todos os espanhóis incluindo os catalães independentistas ou não. Vem esta minha convicção porque num artigo publicado no El País, anunciando a entrada no mercado de um vinho de missa com denominação.

Sindicatos e bom senso

Fui sindicalista nos alvores do 25 de Abril, lia prazenteiramente a carta de Amiens, magna-carta dos sindicalistas avessos a serem correias de transmissão dos partidos. Vendi livros editados pela BASE-FUT (Frente da União dos Trabalhadores), participei em reuniões de baio e alto-nível na esfera sindical, percebi e deplorei o acomodamento para não dizer obediência de dirigentes dos sindicatos a lugares a sol acolhedor. Um desses rapazes, agora, entre outras coisas comenta as traquibérnias futebolísticas num canal televisivo.

O carvalho da tragédia

Ainda era novo, duzentos anos, no entanto, acredito ter sucumbido à saudade dos ventos ásperos, frios, às chuvas geladas, aos nevões; saudades de natureza genética, pois tudo leva a acreditar ter ido tamanino para a subtropical Madeira de clima suave, os tuberculosos no século XIX procuravam consolo e cura na ilha, a Pérola do Atlântico.