Armando Fernandes

 

 

O furacão Costa

Há taleigo de anos no decurso de uma campanha eleitoral autárquica, um burro venceu um Ferrari na subida da calçada de Carriche. O autor da ideia do jumento competir com o cavalo rompante de Modena chama-se António Costa. Os mais atentos a biografias sabem quais os seus começos de formação política desde tenra idade, do aperfeiçoamento ideológico debaixo da batuta de Jorge Sampaio e acolitamento de Nuno Brederode Santos, César Oliveira e outros no decurso de demoradas conversas num snack-bar do edifício Franjinhas.

Vinho de Missa

Os andaluzes são conhecidos por serem desmesurados na autoestima e exagero nos elogios a si próprios. Muito boa gente afiança não serem só os andaluzes, sim todos os espanhóis incluindo os catalães independentistas ou não. Vem esta minha convicção porque num artigo publicado no El País, anunciando a entrada no mercado de um vinho de missa com denominação.

Sindicatos e bom senso

Fui sindicalista nos alvores do 25 de Abril, lia prazenteiramente a carta de Amiens, magna-carta dos sindicalistas avessos a serem correias de transmissão dos partidos. Vendi livros editados pela BASE-FUT (Frente da União dos Trabalhadores), participei em reuniões de baio e alto-nível na esfera sindical, percebi e deplorei o acomodamento para não dizer obediência de dirigentes dos sindicatos a lugares a sol acolhedor. Um desses rapazes, agora, entre outras coisas comenta as traquibérnias futebolísticas num canal televisivo.

O carvalho da tragédia

Ainda era novo, duzentos anos, no entanto, acredito ter sucumbido à saudade dos ventos ásperos, frios, às chuvas geladas, aos nevões; saudades de natureza genética, pois tudo leva a acreditar ter ido tamanino para a subtropical Madeira de clima suave, os tuberculosos no século XIX procuravam consolo e cura na ilha, a Pérola do Atlântico.

A linguagem corporal

Lembro-me de por altura das festas em honra da Senhora das Graças acudirem a Bragança na esperança de arrecadarem bastantes moedas, as notas eram escassas para a maioria da população, homens, mulheres e crianças exibindo os seus aleijões e outras disformidades.

A revolução tecnológica

Escrevo a crónica, às vezes, apressado envio-a desprovida de poda e, nada a fazer, a Internet num ápice levou-a ao destinatário. Lembram-se? Do tempo gasto a garatujarmos cartas, a colocar as folhas dentro do sobrescrito, a passar os lábios na parte gomada, a fechá-lo batendo fortemente o punho de modo a não enfolar ou deixar uma das pontas menos colada, a irmos aos correios, aguardar na fila, pedir o selo a fim de posteriormente o salivar de maneira a ficar bem fixado, finalizando a tarefa ao meter o envelope no marco.

Generais

Demitiram-se dois generais na sequência do roubo de armas em Tancos (localidade vizinha da aldeia rente ao Tejo onde moro), assim ao modo de birra grávida de gongorismo, incluindo um poema. De seguida surgiu na pantalha o comando Tinoco de Faria (conhecido por alguns rapazes do meu tempo) cujas ideias misturavam teias de aranha embrulhadas em confusos panejamentos ideológicos, nos intervalos esparsos clarões de bom senso. Dele foi a lembrança da manifestação das espadas ao modo das fúrias do chanfalho e bota cardada da Iª República.

Com o fogo não se brinca

Naquelas manhãs de cenceno cerrado a minha avó materna pedia-me vigiar as brasas de carvalho, nelas iria ser colocada a grelha destinada a acolher alheiras comidas gulosamente na companhia de centeio e goles de café vindos da cafeteira aconchegada pelo borralho. Só que de vez em quando a minha falta de jeito e a íntima colaboração do gato as brasas espalhavam-se nas pedras lisas do Lar, obrigando a intervenção da dona da casa munida de vassouro e a advertir: com o fogo não se brinca.

O dever de lembrar

A lembrança é figura de estilo quando não cumpre o dever de lembrar. Escrever no Mensageiro obriga-me a quando teço um artigo ou uma crónica nunca por nunca esquecer a sua génese matricial a obrigar-me a mesmo na abordagem de temas leves, até cómicos, a tê-la em conta, sem esquecer os vigamentos que lhe dão sentido e corpo. No entanto, o dever de lembrar é um dever eivado de presunção e, presunção e água benta cada qual toma a que quer refere o anexim.

A Árvore do Pão

No decurso de breves quanto intensas e ridentes palavras trocadas com o Dr. António Rodrigues disse-lhe que este ano o PÃO será o tema principal do Festival Nacional de Gastronomia, a realizar, tal como nas edições anteriores, em Santarém. A robustez e amplitude do tema deu ensejo ao Dr. Rodrigues a oferecer-me o livro A Árvore do Pão, cujo autor é o Bispo de Bragança, Dom José Manuel Cordeiro.
Agradeci a oferta. Posteriormente recebeu a devida atenção.